Aproveitei minha passagem pela Savassi no final da manhã de hoje para almoçar no Al Sultan (Rua Tomé de Souza, 1.140, Savassi; 31 3221-0001), árabe que gosto muito e que há uns bons meses não visitava. Foi ótimo ter sido o segundo freguês do dia, tendo a oportunidade de comer tudo fresquinho, recém-preparado. Fui o primeiro a meter a colher no bom quibe cru, por exemplo. Comida leve, saborosa e temperada sem excesso. Bom saber que a casa continua sendo um porto seguro - seja como referência árabe, seja como almoço rápido na região.
Todos os pratos que provei estavam corretos, sendo que alguns chamaram mais a minha atenção do que outros. Enquanto o babaghannouj estava com o sabor esperado, o delicioso homus supreendeu (positivamente, é claro) pela acidez no ponto, visto que não é raro encontrá-lo com sabor absolutamente monótono na concorrência. Já vi até feito com maionese! Um horror... O tabule também estava ótimo.
Na parte quente, notei sabor acima da média no arroz com lentilhas (outra boa surpresa, como aconteceu com o homus) e na kafta, bem temperada e grelhada com competência, preservando o interior rosado. Saí do restaurante trocando olhares com o halawa de pistache, que me fitava de cima do balcão desde o momento em que cheguei. A prudência no consumo de doces fora dos fins de semana e a consciência de que ainda não dei conta do primeiro pote (de três) de halawa com pistache que tenho em casa nos mantiveram afastados um do outro. Mas se fosse sábado...
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
sábado, 24 de outubro de 2009
O homus do Porta do Céu

Há cerca de dois meses, quando estava cobrindo o Festival de Gastronomia de Tiradentes, pude finalmente matar minha curiosidade e conhecer o Porta do Céu, que foi aberto como bar e, em função da preferência dos fregueses pelas pedidas árabes, recentemente virou restaurante especializado nesse tipo de comida. De tudo o que comi lá, o que mais gostei foi o homus, a clássica pasta de grão de bico com tahine. É realmente excepcional.
A querida leitora assídua deste blog Luciene Rêgo, que comanda a casa com o marido, o egípcio Saad, nos deu a receita, à qual tomei a liberdade de acrescentar entre parênteses os pormenores que vieram num e-mail posterior.
Ingredientes
- 250 gr de grão de bico (hiper cozido, deixado de molho 12 horas, "cozidésimo" até desmanchar e amassado com garfo)
- 1/2 copo de tahine (puríssimo, made in qualquer lugar tipo Líbano ou Síria)
- 1 colher (chá) de pimenta síria moída
- 1 colher (chá) de pimenta-do-reino branca moída
- 1 colher (chá) de cominho moído (seu gosto é variável, dependendo do tempo em que foi moído e torrado. Às vezes a gente compra com um tempo de moagem e precisamos colocar uma quantidade maior para ter "aquele gosto")
- 1 cabeça de alho espremida
- suco de meio limão
- uma colher (sopa) de vinagre branco (aí mora o perigo... é sempre o branco, mas depende muito se for de álcool ou de arroz)
- azeite extravirgem (muito, muito)
- sal a gosto
Modo de preparo (ou comentário sobre)
Como vê, essa receita é de paladar e não porcionada. Não temos a medida exata de cada ingrediente. Vá misturando tudo, pacientemente, até chegar ao ponto de "estalar os beiços". Está pronto. Nunca vi na minha vida uma receita tão complexa. Já dei para um punhado de gente, muitas pessoas já viram fazer e nada... Aliás, quem faz, com a maior competência, é mesmo o Saad. O meu não chega aos pés do que ele faz... Hehehehe. É isto... O resto é com o paladar...
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Almoçando com "brimos" em SP
Aproveitei minha ida a São Paulo, mês passado, para conhecer restaurantes. Como cheguei de manhã e voltei cedo no dia seguinte, tive apenas a oportunidade de um almoço e um jantar. Fiz questão de que uma das refeições fosse no D.O.M., que ainda não conhecia. Como seria mais adequado ir lá no jantar, fiquei com o almoço livre. Apreciador da culinária árabe que sou (mais uma vez, o sangue não nega!), quis conhecer a cozinha de algum "brimo". Confesso que o primeiro lugar que me veio à cabeça foi o Arabia. Clichê, eu sei, mas (1) não conheço a casa, (2) tenho um livro maravilhoso, Líbano - Impressões e culinária, escrito pela proprietária Leila Kuczynski, (3) ela está bem colocada no Guia 4 Rodas e (4) para um forasteiro como eu, a casa talvez seja a mais conhecida do gênero. Quando a gente não conhece bem uma determinada cidade e está com pouco tempo, algumas vezes acaba se balizando pelos medalhões.
Mas não foi desta vez que conheci o Arabia. Ciceroneado por um amigo de lá, fomos parar no olho do furacão - arredores da Rua 25 de março! - para almoçar onde parte da colônia árabe paulistana o faz. Foi assim que chegamos a esse lugar:

Pois é, apesar de não parecer, essa é a entrada de um restaurante. Não tem placa na porta, nem indicações no corredor ou na portaria do prédio em que fica. Aliás, fica no primeiro andar de um prédio daqueles bem velhuscos, parecidos com os do centro de BH. Eis o salão do Monte Líbano (Rua Cavalheiro Basílio Jafet, 38, 1º andar, sala 101, Centro; 11 3229-4413):

Lugar de instalações simples, serviço rápido e comida honesta. Começamos com babaghannouj (fiquei feliz em constatar que é praticamente idêntico ao que faço em casa), tabule e pães. Os legumes estão incluídos no serviço:

Pouco depois chegou à mesa algo que meu anfitrião garantiu ser quase impossível de se encontrar em São Paulo, tripa de cordeiro recheada (com arroz e carne de cordeiro). Acredite se quiser, um prato leve:

Na sequência, favas variadas e grão-de-bico ao azeite e salsinha. Assim como a tripa, uma receita que ainda não havia experimentado. Algumas estavam cozidas demais para o meu gosto, desmanchando.

Para complementar, pedimos um quibe com pinole...

... e uma esfirra de zaatar fechada. Cada um provou um pedaço da pedida do outro:

Pode ter parecido uma comilança danada, mas não foi. Leves, tivemos ânimo para a sobremesa. Essa belíssima travessa de doces típicos fica no balcão, mas é trazida à mesa para que o freguês escolha o que mais lhe apetece:

Eu, é claro, fui de ninho com pistache. Delícia! Como de costume, rega-se a peça com calda antes de servi-la:

Café à maneira árabe para encerrar...

e a conta: R$ 50 por cabeça. Justo.
Na saída, seguimos pela rua que desemboca na portaria do prédio, a Comendador Abdo Schahin, em direção ao Empório Syrio (11 3228-3640), que fica à altura do número 136. Passamos pela porta de várias pequenas lojas árabes - entre restaurantes e empórios -, que exibem humildes cardápios e vitrines de doces típicos na porta. Uma pena não termos essa variedade em BH... Grande variedade de produtos; alguns eu desconhecia. Trouxe para casa um pote de geleia de figo com amêndoas e gergelim; um pote de berinjelas em conserva, recheadas com nozes; uma caixinha com sachês de sahlab (bebida feita com pó de raiz de orquídea; minha suspeita se confirmou: é o mesmo "salep" que provei na Turquia, só muda a grafia); zaatar libanês; e bandejinha com baclavas variadas. Halawa, havia e de algumas marcas (até diet), mas não do com pistache...
Mas não foi desta vez que conheci o Arabia. Ciceroneado por um amigo de lá, fomos parar no olho do furacão - arredores da Rua 25 de março! - para almoçar onde parte da colônia árabe paulistana o faz. Foi assim que chegamos a esse lugar:
Pois é, apesar de não parecer, essa é a entrada de um restaurante. Não tem placa na porta, nem indicações no corredor ou na portaria do prédio em que fica. Aliás, fica no primeiro andar de um prédio daqueles bem velhuscos, parecidos com os do centro de BH. Eis o salão do Monte Líbano (Rua Cavalheiro Basílio Jafet, 38, 1º andar, sala 101, Centro; 11 3229-4413):
Lugar de instalações simples, serviço rápido e comida honesta. Começamos com babaghannouj (fiquei feliz em constatar que é praticamente idêntico ao que faço em casa), tabule e pães. Os legumes estão incluídos no serviço:
Pouco depois chegou à mesa algo que meu anfitrião garantiu ser quase impossível de se encontrar em São Paulo, tripa de cordeiro recheada (com arroz e carne de cordeiro). Acredite se quiser, um prato leve:
Na sequência, favas variadas e grão-de-bico ao azeite e salsinha. Assim como a tripa, uma receita que ainda não havia experimentado. Algumas estavam cozidas demais para o meu gosto, desmanchando.
Para complementar, pedimos um quibe com pinole...
... e uma esfirra de zaatar fechada. Cada um provou um pedaço da pedida do outro:
Pode ter parecido uma comilança danada, mas não foi. Leves, tivemos ânimo para a sobremesa. Essa belíssima travessa de doces típicos fica no balcão, mas é trazida à mesa para que o freguês escolha o que mais lhe apetece:
Eu, é claro, fui de ninho com pistache. Delícia! Como de costume, rega-se a peça com calda antes de servi-la:
Café à maneira árabe para encerrar...
e a conta: R$ 50 por cabeça. Justo.
Na saída, seguimos pela rua que desemboca na portaria do prédio, a Comendador Abdo Schahin, em direção ao Empório Syrio (11 3228-3640), que fica à altura do número 136. Passamos pela porta de várias pequenas lojas árabes - entre restaurantes e empórios -, que exibem humildes cardápios e vitrines de doces típicos na porta. Uma pena não termos essa variedade em BH... Grande variedade de produtos; alguns eu desconhecia. Trouxe para casa um pote de geleia de figo com amêndoas e gergelim; um pote de berinjelas em conserva, recheadas com nozes; uma caixinha com sachês de sahlab (bebida feita com pó de raiz de orquídea; minha suspeita se confirmou: é o mesmo "salep" que provei na Turquia, só muda a grafia); zaatar libanês; e bandejinha com baclavas variadas. Halawa, havia e de algumas marcas (até diet), mas não do com pistache...
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A saga do halawa com pistache
Abri meu último pote de halawa com pistache. Para quem não conhece, trata-se de um doce fabuloso, comum nos países do Oriente Médio. É feito bascamente com tahine (a mesma pasta de gergelim com a qual se faz homus e babaghannouj), açúcar e extrato de halawa (que é a raiz de uma planta). As maneiras de escrever o nome são as mais diversas: halawa, halva, halwa, halawi... As versões mais comuns disponíveis no Brasil, além da simples (que se resume a esses ingredientes), incluem pistache ou chocolate. Particularmente, prefiro a versão com pistache. Tradicionalmente, come-se com fatias de pão quente.

Em breve, inciarei nova saga para encontrar mais potes de halawa com pistache. Minha última compra foi um verdadeiro achado: levei para casa uns cinco potes da marca libanesa Zeenny (quem importa é a Maxifour), que encontrei no Carrefour do Shopping Del Rey a R$ 18,90, cada! Geralmente cada um custa entre R$ 25 e R$ 30. Empórios árabes costumam vender, mas nem sempre com pistache. O de Dona Hana, no Mercado Central, vende pedaços de halawa tirados de barras grandes, mas só puro ou com chocolate. Se não me engano, vi por lá uma marca menos conhecida com pistache. Vou conferir. O restaurante Al Sultan, se não me engano, tem.
Num dos empórios do centro de São Paulo, onde estive mês passado, a variedade de halawa era grande. Tinha até diet, mas o bendito com pistache estava em falta. Para servir de consolo, comprei um pote de doce tentador, também da Zeenny: figo com gergelim e amêndoas. Deve ser uma coisa...
Enfim, se alguém souber de outros lugares onde encontrar o halawa com pistache, manifeste-se, por favor.
Em breve, inciarei nova saga para encontrar mais potes de halawa com pistache. Minha última compra foi um verdadeiro achado: levei para casa uns cinco potes da marca libanesa Zeenny (quem importa é a Maxifour), que encontrei no Carrefour do Shopping Del Rey a R$ 18,90, cada! Geralmente cada um custa entre R$ 25 e R$ 30. Empórios árabes costumam vender, mas nem sempre com pistache. O de Dona Hana, no Mercado Central, vende pedaços de halawa tirados de barras grandes, mas só puro ou com chocolate. Se não me engano, vi por lá uma marca menos conhecida com pistache. Vou conferir. O restaurante Al Sultan, se não me engano, tem.
Num dos empórios do centro de São Paulo, onde estive mês passado, a variedade de halawa era grande. Tinha até diet, mas o bendito com pistache estava em falta. Para servir de consolo, comprei um pote de doce tentador, também da Zeenny: figo com gergelim e amêndoas. Deve ser uma coisa...
Enfim, se alguém souber de outros lugares onde encontrar o halawa com pistache, manifeste-se, por favor.
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sexta-feira, 29 de maio de 2009
Berinjelas, favas e medalhões...
Hoje é dia de feira na rua Bernardo Guimarães, quarteirão entre as ruas Piauí e Ceará. Pertinho do jornal, no Funcionários. Poucas barracas, mas tudo com cara boa. Frutas quase emitindo luzes, de tão coloridas. Peixes. Biscoitos para provar à vontade. Verduras. Berinjelas e abobrinhas lindas, pequenas e firmes, do jeito que eu gosto. Uma loucura. Pensei em ratatouille, receita deliciosa que não canso de fazer em casa. Quando bati os olhos nas berinjelas, novinhas, pensei em babaghannouj - já está quase na hora de repor meu estoque doméstico dessa maravilhosa pasta libanesa. A propósito, qualquer dia desses posto aqui a receita que faço há alguns anos, aprendida no lindo livro Líbano: impressões e culinária, da Leila Youssef Kuczynski, chef do restaurante Arabia (SP). Outro dia, colegas comentaram de pratos com favas e eu me lembrei do quanto gosto de comê-las. Olha a coincidência: a primeira coisa que vi quando me aproximei da feira foram dois sacos de favas. Avancei, mas já haviam sido vendidos... De toda forma, deixei meu quilo de favas encomendado para a próxima sexta. Custa R$ 8 e é trazido do Ceasa. Quem quiser conferir, deve procurar a banca do Charles. Com as favas na mão, quero consultar meu livro de cozinha mediterrânea para escolher uma boa receitas de favas para fazer em casa. Penso com cordeiro. Bom, no final das contas, saí de lá com um saquinho de medalhões (aqueles biscoitos enrolados e cortados como moedas), que como desde a mais tenra infância.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Árabe para viagem!

Pedro Motta/EM
O restaurante árabe Al Sultan recentemente passou a fornecer seus produtos para a rede de supermercados Super Nosso. Oito das onze lojas agora vendem congelados e porções prontas para levar. Quase todo o cardápio da casa foi disponibilizado para venda, incluindo quibe (frito, cru e de cordeiro), kafta, homus, babaghannouj, chancliche e charuto de folha de uva, entre outras pedidas. Além disso, as lojas do bairro Luxemburgo e de Nova Lima são as únicas (por enquanto) a oferecer (à la carte) a comida do restaurante para consumo no local.
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