terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Um olho na cerveja e outro no relógio

Estive este fim de semana no bar Barracão (Rua Antônio Justino, 438, Pompeia, 31 8835-3627), sobre o qual fiz reportagem à época da inauguração, ano passado, mas até hoje não havia visitado como pessoa física. Gostei muito de lá. O ambiente colorido e descolado me lembrou, a príncípio, o Balaio de Gato (que também gosto muito), mas, pensando bem, as casas não se parecessem tanto assim. Funciona nos fundos de uma casa, onde as mesas ficam cercadas por plantas. Bastante agradável.


Pedro David/EM

A especialidade da casa são as batatas rösti de sabores variados. Como estávamos com apetite, deixamos para experimentá-la no final e começamos com uma porção de coxinhas da asa fritas. Sequinhas e saborosas, chegaram a mesa com saboroso chutney de banana. Recomendo.



Pedro David/EM
De repente, a garçonete nos aborda para comunicar que, se quiséssemos batata rösti, deveríamos fazer o pedido em, no máximo, 20 minutos. Quem mandou não ler o cardápio direito? Estava lá o aviso. A gente é que não viu. A culpa é nossa.

O horário limite para pedir essa batata é 22h30. Portanto, fique atento! Como estávamos esperando mais gente, acabamos nos distraindo e ficamos sem a batata. Acho que vale a pena voltar para experimentá-la, só não sei quando vai ser. Ah, e o horário limite para pedir outros petiscos é tipo 23h. Acho precoce demais para encerramento de cozinha, mas regra é regra...

Gostei da comida, do ambiente e a cerveja estava gelada. Já o atendimento estava um pouco desatento: numa das vezes em que procurei com os olhos a garçonete para pedir cerveja, a encontrei sentada numa das mesas, em meio bate papo descompromissado. Aí não dá, concordam?

Tanto na ida como na volta, fiquei reparando na quantidade de autênticos botequins que o Pompeia tem. São muitos! Acho que é uma espécie de santuário! Já havia reparado nisso antes, mas como não passava por lá há tempos, me chamou a atenção. Acho que vale a pena dar uma explorada no bairro qualquer dia desses. Conheço pouco a região, mas algo me diz que há pérolas escondidas por lá. A propósito, alguém tem alguma outra dica de lá, além do Barracão, Bar do Baiano e Bar do Plínio?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Barbada da semana

Volto ao Verdemar para dar a dica da barbada desta semana: a salada que vendem lá nos fundos da loja do Diamond por cerca de R$ 13. Duas pessoas comem tranquilamente - e repetindo. Você escolhe uma entre quatro misturas de folhas; cinco dentre uns 30 ingredientes (cogumelos frescos, brie, gorgonzola, aspargos em conserva, palmito, tomate seco, mussarela de búfala, tomate cereja, nozes, aliche, frutas etc); e um molho dentre cerca de meia dúzia (iogurte com páprica, mel com mostarda, caesar, pesto, nozes etc). Se quiser, o molho vem separado num potinho (eu prefiro). E, por fim, a Sônia, que trabalha lá, é uma simpatia.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mostrar para não sumir

“Excellent,” Maxime said.


I asked her what she liked about it.

“It’s not really a ‘like’ and a ‘not like,’ ” she said. “It’s an analysis. You’re eating it and you’re looking for the quality of the products. At this level, they have to be top quality. You’re looking at ‘Was every single element prepared exactly perfectly, technically correct?’ And then you’re looking at the creativity. Did it work? Did the balance of ingredients work? Was there good texture? Did everything come together? Did something overpower something else? Did something not work with something else? The pistachios—everything was perfect.”



John Colapinto acompanhou pessoalmente o trabalho de uma inspetora do Guia Michelin em Nova York e recentemente relatou a experiência numa matéria (da qual extraí o trecho acima) para a revista The New Yorker. Esses inspetores vivem em anonimato (o repórter não conseguiu saber o nome dela), mas John teve acesso a "Maxime" por causa da nova política do guia para os Estados Unidos: querem explicar aos norte-americanos como funciona o sistema de avaliação. Isso porque, de acordo com o repórter, o guia, que chegou aos Estados Unidos em 2005, não estaria se saindo bem na briga com seus principais concorrentes - Times e Zagat.

Como parte dessa estratégia, o Guia Michelin lançou o site Famously Anonymous (tem até entrevista com um dos inspetores na penumbra) para que os norte-americanos saibam melhor quem são os inspetores e como trabalham. Além disso, criou contas no Twitter para seus inspetores de Nova York e São Francisco.

Mesmo tendo sido tudo muito arranjado (o interesse é do guia, afinal), vale a pena conferir a matéria, que pode ser lida na íntegra nesse link.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Barbada da semana

A desta semana são os vinhos do Verdemar. Não todos, é claro: me refiro aos da seção mais em conta, que, felizmente, não são poucos. São rótulos decentes de vários países abaixo de R$ 20. Não é todo comércio por aí que anda com tanta oferta assim desse jeito.

A ideia de ir num único lugar resolver as compras daquele jantar em casa e, de quebra, levar umas três garrafas de vinho por pouco mais de R$ 50 é muito atraente, concordam? Comodidade e economia rimando soam como música aos ouvidos. E ainda tem funcionário só para ajudar a escolher.

Na minha última visita - loja do Diamond - me animei tanto com a oferta que levei para casa quatro rótulos. Um espanhol, um português e dois chilenos. Todos me deixaram satisfeito. O mais caro custava R$ 20 e uns quebrados. O mais barato, uns R$ 15.

Porque a gente quer tomar vinho sempre que possível, mas não é toda hora que dá para ficar gastando R$ 40, R$ 50, R$ 60 numa garrafa...

sábado, 28 de novembro de 2009

O enchido português e seus usos

Só para constar: com o ímpar chouriço de porco preto de Barrancos, que trouxe de Portugal e comecei a comer ontem, fiz dois maravilhosos pratos! Eu sei que o produto por si só já é bom o bastante para ser comido sozinho, mas o risoto e o bacalhau que fiz com ele ficaram sensacionais!

Começo pelo risoto. Cortei em finas lâminas o chouriço e deixei que minassem a indescritível gordura em fogo bem baixo. Reservei as lâminas e dourei na gordura resultante a cebola picadinha. Fiz o risoto, então, da maneira tradicional. Do meio para fim, voltei com as rodelas para a panela e - a grande sacada - finalizei com os improváveis restos do pungente queijo São Jorge, que também trouxe de além mar. Melhor não poderia ter ficado.

Por fim, o bacalhau. Juninho, do Bar do Júnior, no Mercado Distrital do Cruzeiro, gentilmente me presenteou com uma bela peça do peixe, já temperado, guarnecido (cebola, pimentão, alcaparra e azeitona) e envolvido em papel alumínio. Pronto para ir para o forno. Ele me instruiu a levá-lo ao forno médio-alto por 40 minutos, virando na metade desse tempo.

Por minha conta, cerquei o envelope com batatas, cebolas e brócolis, temperei com sal e pimenta-do-reino e reguei com azeite. Na metade do cozimento, virei o bacalhau, remexi os ingredientes e adicionei grão-de-bico em conserva. Esqueci do alho! Fez falta, mas sua ausência não chegou a comprometer o resultado final, que achamos ótimo. O chouriço entrou em rodelas, que misturei no meu próprio prato: o potente casamento dele com o bacalhau muito me agradou.

Ficam aí duas dicas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A onda vintage dos hambúrgueres



Ontem saiu no caderno Divirta-se matéria minha sobre a mais nova hamburgueria da cidade, a Burgueria Original (Avenida Fleming, 212, Ouro Preto; 31 3498-1188). Alguém já esteve lá?

Tanto na matéria como na minha coluna na rádio Guarani, comentei sobre certa tendência seguida por grande número de casas especializadas em hambúrguer no país: a aposta no ambiente retrô, no clima anos 1950. Já repararam? O Eddie Fine Burgers é assim e há uma outra casa (que não conheço ainda) na Sagrada Família que me parece usar a mesma estratégia, pois se chama Anos 50 Sanduíches. Me corrijam se eu estiver errado.

Existe mais alguma nesse estilo aqui na cidade? Em São Paulo sei que são várias. Será que teremos uma nova onda gastronômica, mais ou menos como aconteceu com os temakis? Se as próximas hamburguerias retrô vierem cada uma com seu hambúrguer de produção própria, caso do Eddie e da Burgueira, já será um ótimo começo.

Ah, o sanduíche da foto acima é lá da Burgueria. Quem desenvolveu o cardápio da casa foi o chef Adriano Santos, atualmente à frente do Haus München e do Albano's. O hambúrguer (receita dele) da casa leva carne bovina (patinho), linguiça calabresa defumada e pernil suíno. Pelo que me recordo do sabor do sanduíche do Eddie, imagino que sejam receitas bem diferentes. E essa variedade de ofertas é ótima.

A prova dos 17



Domingo passado publiquei no caderno Feminino do jornal Estado de Minas texto sobre a Degustação Histórica de cervejas promovida pelo restaurante alemão Haus München, dia 18 deste mês. Trata-se um encontro de amantes da bebida que, por estarem sempre viajando, não deixam de trazer rótulos interessantes para casa. Quando perceberam que juntos poderiam experimentar um pouco das cervejas de cada um e que isso seria uma tremenda experiência, combinaram a primeira rodada no bar Frangó (SP), em abril deste ano. O segundo encontro da turma foi o de semana passada, em BH. Quem quiser ler o texto que escrevi pode fazê-lo neste link do blog da Acerva Mineira, que tratou de imortalizá-la na internet.

Entre os participantes, estavam o jornalista austríaco Conrad Seidl (autor de O catecismo da cerveja), a mestre cervejeira e beer sommelier Cilene Saorin (SP), Marcelo Carneiro (Cervejaria Colorado/SP), Cassio Piccolo (Frangó/SP), Edu Passarelli (do blog Edu Recomenda e colunista da revista Prazeres da Mesa/SP); Sérgio Bueno (bares Original, Pirajá e Astor, Pizzaria Bráz e Lanchonete da Cidade/SP), André Clemente (também colunista da Prazeres/SP), Marco Falcone (cervejaria mineira Falke Bier), o mestre cervejeiro Paulo Schiavetto (MG), Halim e Ana Paula Lebbos (cervejaria mineira Backer) e Fernando Areco (restaurantes A Favorita, La Victoria e Splendido, em BH). E eu de observador, munido de bloquinho e da jurássica máquina da minha mulher.

Conrad é uma figura digna de registro, como podem observar:



Provamos 17 cervejas diferentes, produzidas na China, Itália, Estados Unidos (a maioria), Bélgica, Áustria e Brasil. Várias realmente muito boas, sendo algumas de paladar bastante incomum. E uma ou outra cuja degustação valeu mais pela curiosidade, caso da primeira, a chinesa Tsingtao, a pilsen líder de vendas por lá:



A cerveja seguinte visivelmente não foi uma unanimidade e exatamente por isso não houve quem ficasse indiferente a ela, a italiana Fleurette. A fábrica é especialista em cervejas com flores e frutas e essa é feita com rosas e violetas. Como era de se esperar, aroma floral pronunciado. Na boca, é leve e ácida.



Da terceira me limito a comentar algo que achei mais interessante que a análise sensorial em si: a Morimoto é uma cerveja norte-americana cuja formulação foi desenvolvida para atender o público japonês que mora por lá. Tendência curiosa.



Também norte-americana, a Allagash é maturada em barris de carvalho anteriormente usados para vinhos - prática já em uso há alguns anos. O aroma, como definiu bem Marco Falcone, é intrigante.



Mais uma italiana na linha ácida, só que, desta vez, feita com cereja:



A belga Cantillon, uma lambic orgânica de 2006, foi comparada pelos vizinhos de mesa a vinho branco. De fato, tem a ver. Para completar, não tem espuma e a carbonatação praticamente não é percebida.



Em primeiríssima mão, degustamos a Vivre pour vivre, sour ale com jabuticaba produzida pela Falke Bier. Marco, um dos responsáveis pela cerveja, até pediu para colocarem música na hora de provar! Sem dúvida, um dos pontos altos da noite.



Ele contou que várias experiências foram feitas até chegar ao que provamos. Primeiro, testou uma série de frutas até se decidir pela jabuticaba, trazida do sítio de um amigo, em Lagoa Santa (MG). A primeira tentativa de obter o extrato da fruta foi fervendo-as. Deu errado. Depois, tentou congelá-las. Também deu errado. Em ambos os casos, houve perda dos óleos essenciais, o que certamente iria interferir de maneira negativa na avalição dos sabores e aromas do produto final. Resolveu, então, macerar as jabuticabas com água mineral em temperatura ambiente. E deu certo.

Para quem conhece, a espetacular Monasterium (ale estilo belga de abadia) produzida pela Falke Bier é a base da Vivre. Fermentada por três anos em garrafa com o preparado de jabuticaba, a cerveja ganhou não apenas cor arroxeada, mas aroma e sabor delicados da fruta. O sabor, no caso, lembra o do licor de jabuticaba, para ser mais exato. Muito refrescante. O primeiro lote, de 300 garrafas, já está no ponto e será repartido entre especialistas. As próximas 1,6 mil garrafas é que estarão à venda, mas só ano que vem.

Em seguida, Bodebrown, uma wee heavy scotch ale feita por um pernambucano em Curitiba (PR):



Com esse nome, a próxima cerveja só poderia ser norte-americana mesmo: Audacity of hops (algo como "audácia de lúpulos", em inglês), super lupulada, muito mais do que uma IPA...



A primeira Samuel Adams era de trigo com suco de cranberry...



...enquanto a outra era de trigo com cereja:



Forstner, a austríaca que Conrad Seidl trouxe (outra praticamente sem gás, o que não defeito, mas característica):



Gouden Carolus, belga refermentada em garrafa magnum:



Quimet & Quimet, ótima cerveja belga produzida com exclusividade para o bar de mesmo nome, em Barcelona. Edu Passarelli, que a trouxe para a degustação, disse que o bar é um achado. Pequeno, fora da rota turística e recheado de cervejas. Para quem estiver de passagem por lá, fica a dica. Eis a garrafa:



O chef da casa, o craque Adriano Santos, já estava de parabéns pelos ótimos petiscos alemães que havia nos servido até então, mas não baixou a guarda e nos trouxe uma criação inspirada nos sabores da Europa Central. Filé (muito macio, rosado por dentro, passado na páprica) ao próprio molho com alcachofras, cogumelos, chucrute e spätzle:



Outra belezura belga: Pannepot Grand Reserva, envelhecida por 14 meses em carvalho francês e finalizada em madeira da região francesa de Calvados por oito meses. Aroma rico e complexo, com notas de especiarias, baunilha, maçã e frutas secas.



Black Butte XXI, porter com café e favas de cacau envelhecida em barril usados para bourbon:



Para terminar, outra degustação em primeira mão, a imperial stout da Colorado, feita com malte inglês e rapadura preta em abril deste ano. Ainda não está no mercado, mas posso adiantar que, como os demais rótulos da fábrica, vai agradar. Prevalece o design criado pelo norte-americano Randy Mosher: