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domingo, 16 de maio de 2010

Uma passadinha no paraíso

Outro dia, o Marcelo Brandão, leitor assíduo deste blog, comentou que é frequentador de pequenas lojas, especialmente delicatessens. Mencionou o Empório Paraíso, pequena loja de apelo gourmet incrustada há 10 anos num dos corredores do Mercado Central e que tive a oportunidade de conhecer melhor hoje de manhã. É claro que não dá para compará-la às concorrentes de maior porte, mas ainda assim é possível dizer que oferece boa variedade de produtos.

Sobretudo queijos. Gostei de encontrar por lá o delicioso cablanca holandês, feito com leite de cabra (R$ 71,48/quilo). Depois, fui apresentado ao vigoroso gouda maturado Old Dutch, também holandês e delicioso (R$ 68,90/quilo). Havia ainda uma grande roda do italiano parmigiano reggiano (R$ 145/quilo), da qual extraí um pedacinho para degustação. Quando a gente não conhece ou está em dúvida, dá para ir provando um pouquinho de cada, o que é ótimo.

Vi alguns queijos argentinos da Sancor e a primeira pergunta que me veio à cabeça foi: será que tem o dulce de leche da marca? Tinha! R$ 6,50 o potinho de 250g. É bom saber que esse raro (e tentador) potinho pode ser encontrado lá. Ah, o Empório Paraíso também tem loja no bairro Vila da Serra, perto do Trevo do Seis Pistas, no edifício Portal de Nova Lima. Para quem mora para os lados de lá, deve ser melhor do que batalhar por uma vaga ao redor do mercado ou deixar um rim para pagar a conta dos estacionamentos ao redor.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Dulces" notícias



Anteontem dei uma passada rápida no supermercado Morini de Lourdes e, como de costume, levei os encartes promocionais para casa. Na pressa, não reparei se estavam mesmo na gôndola, mas o encarte informa que a rede agora vende com exclusividade alguns produtos da marca argentina Havanna. Para quem não sabe, é a mesma de um dos melhores doces de leite (ou melhor, dulces de leche) disponíveis no mercado nacional. Digo dulce de leche não por pedantismo, mas porque o doce de leite dos argentinos e uruguaios não é igual ao brasileiro. São receitas diferentes. O dos vizinhos se difere principalmente pelo sabor, que lembra caramelo e tem toque de baunilha. A textura, mais firme e fina, também é distinta. Um espetáculo - em desmerecer em nada o produto nacional, é lógico.



Pois agora a loja vende o pote do doce (R$ 19,99, 450g) e a caixa com alfajores sortidos (R$ 49,99, 380g). Para quem ainda não conhece, recomendo.


E por falar nisso, minha mãe me disse que encontrou no supermercado Extra potinhos de 250g do tentador dulce de leche uruguaio da Sancor por algo em torno de R$ 3. Fui apresentado a ele pelo também uruguaio Jorge Rattner, chef e proprietário dos restaurantes A Favorita, Splendido e La Victoria. Fiquei viciado nesse doce durante um bom tempo e, que eu saiba, os tais potinhos andaram meio sumidos do mercado nos últimos tempos, apesar de o parmesão e manteiga Sancor estarem sempre à venda por aí. Se encontrar esse potinho por aí, agarre-o:


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Bolota, a lenda

Conheci o estupendo doce de leite do Bolota em 2005, durante avaliação de bares e restaurantes para o Guia Unibanco Minas Gerais (Bei), em Tiradentes. Foi por causa do bom e velho hábito de "assuntar" com moradores que fui aconselhado a experimentá-lo. Fui, então, a casa de Célia Oliveira, viúva do Bolota. Ela e as três filhas são as responsáveis pela produção do doce nos fundos de casa, mas quem o criou foi ele. Bolota, que morreu há 20 anos, era cozinheiro. Adorava doces, mas era diabético. Olha ele aí:




Essa foto está pendurada na parede dos fundos da casa, onde há uma mesa sempre posta para receber os visitantes. Célia e as filhas nos fazem experimentar um pouquinho de tudo. E tudo é muito gostoso. Nesse lugar, participando de alguma forma da intimidade da família (a cozinha fica logo ali), o sabor não poderia ser melhor. Pratos e talheres domésticos, tigelinhas de plástico, toalha na mesa. Tudo contribui para realçar a impressão de "sabor caseiro", de "feito com carinho". Pode até ser só impressão, mas que parece, parece.



Trata-se de um doce de leite leve e muito claro, com sabor suave (do leite, e não do açúcar) e consistência que lembra a da nata. Não há nada igual e em nada lembra as densas pastas açucaradas que abundam por aí. O segredo está na quantidade de açúcar: 200g para cada 15 litros de leite. Por querer driblar a diabetes, Bolota desenvolveu essa receita com quantidade bastante reduzida de açúcar. Combina maravilhosamente com o ótimo figo em calda que ela também faz ali. Aí está o casamento feliz:



Célia, fingindo que não é com ela:



Só ela sabe o ponto do doce. As três filhas ajudam em várias etapas da produção, mas reconhecer o aspecto da receita pronta é só com ela. Todo dia é dia de fazer doce. O mexe-mexe na panela dura o dia inteiro, com Célia e Márcia, a filha do meio, dividindo a tarefa. É preciso mexer sem parar, por horas e horas. Tânia, a mais velha, ajuda a vender os doces e, em épocas de muita demanda, também ajuda com a colher de pau. Karine, a mais nova, colabora nas vendas e é quem faz os cartões que acompanham as potes.

Definitivamente, a visita a casa de Célia é programa obrigatório para quem está em Tiradentes - levando doces para casa, é claro Registro aqui seus contatos: Rua Bias Fortes, 77, Cascalho, Tiradentes, tel. (32) 3355-1465.

Para quem quiser se aventurar na tentativa de reproduzi-lo, eis a receita:

Ingredientes
15l de leite
200g de açúcar refinado

Modo de preparo
Coloque o leite e o açúcar numa panela de 25l e leve ao fogo alto. Mexa sem parar com uma colher de pau até ganhar cor ligeiramente mais escura e consistência levemente pastosa, o que levará cerca de quatro horas. O doce estará próximo do ponto ideal quando, ao raspar a colher no fundo da panela, for possível ver o fundo. Como é preciso mexer sem parar (do contrário, o leite entorna), reveze com mais pessoas na tarefa. Célia ensina que é preciso começar o preparo em panela grande e quando o volume inicial chega a nível bem reduzido, convém transferir a preparação uma panela de 10l, na qual é mais fácil ver o fundo da panela quando se está mexendo - sinal de que o doce está quase no ponto. Ela também faz o doce com açúcar light – 100g para cada 15l.