sexta-feira, 30 de abril de 2010

A caravana dos extremos, parte final

Enfim, o Barreiro. Território do Bar do Zezé e do Bar do Ferreira, agora o bairro conta com mais um boteco divulgado pelo CdB: o Bar do Rei.


Ambiente simples, recentemente ampliado e reformado exclusivamente em função da inclusão da casa no evento, o que é muito comum de acontecer. Na semana em que o CdB começou, não eram poucos os bares que estavam passando por reformas de última hora - não me refiro somente a novatos. Ampliações, melhorias, novos banheiros... Tudo para estrear "tinindo".

Ao longo da noite, a turma da caravana se habituou a classificar os bares desta edição como os que encararam e os que não encararam o problema de frente. Com o tempo, percebemos a necessidade de criar uma categoria intermediária, o que tornou as classificações mais justas. Nesse aspecto, todos concordaram que o "Jiló e companhia" foi o melhor exemplo de petisco corajoso:


Simplesmente jilós inteiros, recheados com mix de carnes (moída, linguiça e bacon), empanados e fritos. Servidos com batata bolinha frita e salada de legumes em conserva feitos no próprio local. Quer você goste ou não, é preciso admitir: o pessoal do Bar do Rei encarou o problema de frente. E para mostrar que a turma da cozinha não estava de brincadeira, nos serviram ainda um vinagrete de jiló:


Duas receitas para quem é duro na queda e um fechamento digno de quem busca por extremos.

A caravana dos extremos, parte 4

Chegamos então, ao penúltimo bar da noite, o Curin, no Santa Mônica, onde há regras de convivência muito claras:


O primeiro aspecto a me chamar a atenção, além da simpatia do dono, Curin, foi ...


... o fato de a cozinha estar quase que totalmente integrada ao ambiente, sem maiores divisórias:


Não se trata de modelo arquitetônico dos mais fáceis de ver, em se tratando de bar. Curioso. De repente chega a primeira parte do petisco concorrente deste ano: jiló empanado com parmesão e frito.


Acredite: independente da quantidade que vier no prato, será pouco. Foi um dos melhores jilós do CdB que comi este ano. O amargor estava lá, o fritura ficou sequinha e o parmesão deu toque extra de sabor. Delicioso! Tão bom que torna o patê de atum no centro do prato absolutamnte dispensável. Esses jilós acabaram roubando a cena e desbancando o tira-gosto em si, o Muê lá no Curin Bar:


Moela, linguiça e azeitona em creme de milho, porção servida numa panelinha de pedra, como é hábito no bar. O creme de milho, na verdade, lembra mais uma canjiquinha do que um creme de milho, se pensarmos naquele que é batido e cremoso. Não preciso nem dizer que a maionese em cima também é dispensável, né?

Última parada: Bar do Rei, no Barreiro.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A caravana dos extremos, parte 3

E então, o ponto alto da noite:


Não deu para ver direito? Que tal assim:


Essa é uma das melhores costelinhas que já comi nos botequins de BH. É o ingrediente principal do "Abafo", petisco concorrente do Adega & Churrasco, no Palmares. Costelinha suína assada no bafo e servida com jiló acebolado na manteiga de garrafa, farofa com bacon e pimenta biquinho. Um absurdo de bom! A carne estava saborosa, suculenta, avermelhada por fora e extremamente macia. Uma coisa. O jiló conservou seu esperado amargor e se mostrou "entrosado" com a cebola e a manteiga de garrafa. Vale a pena conferir. A "puxada" na manteiga de garrafa é feita à parte, no maior capricho:


Quem vê essa multidão tomando a rua talvez não desconfie que o bar começou não como bar, mas como ponto de venda de bebidas e carnes para levar. Não havia nem freguês encostado no balcão. Agora me parece uma verdadeira potência...


Agora, Curin, no Santa Mônica.

A caravana dos extremos, parte 2

Do Bombar, no Luxemburgo, fomos para o Esplanada, bairro da agradável Churrascaria do Itamar. Vejam que quintal...


Mal dá para desconfiar do quão agradável é o lugar se julgarmos só por uma passada rápida pelo lado de fora ou de carro:


Eis o coração da casa, a área de churrasqueiras (reparem na placa presa ao teto):


Quadro de preços à moda antiga, do jeito que a gente gosta...


Fale a verdade: há quanto tempo você não via uma cadeira das antigas como essa lá no fundo?


E vamos ao petisco concorrente, a "Carne grelhada à jilozete":


Traduzindo: contrafilé grelhado (alô, pessoal, contrafilé não é filé mignon, mas cuidado para não deixar ficar duro) com vinagrete de jiló (azeitona, cogumelo em conserva etc e tal) e molho de maionese com mostarda e pimenta rosa.

Comida no papinho, pé no caminho! Adega & Churrasco, lá vamos nós!

A caravana dos extremos, parte 1

Sexta passada foi publicada matéria minha no caderno Divirta-se sobre bares que participam do Comida di Buteco e estão localizados em bairros mais afastados da região central da cidade - ou "nas pontas de BH", para usar a expressão mais diplomática criada pelo organizador do evento, Eduardo Maya. Havíamos conversado sobre essa ideia na caravana de botecos que fizemos dias antes do início do CdB, ele achou interessante e ajudou a organizar um roteiro (com van e tudo mais). Nos encontramos no Bombar (Luxemburgo) e de lá seguimos para a Churrascaria do Itamar (Esplanada), Adega & Churrasco (Palmares), Curin (Santa Mônica) e, por fim, Bar do Rei (Barreiro). Como é foto e informação que não acaba mais, vou postar um local de cada vez, em sequência. Começamos pelo Bombar:


Mesas na calçada, ambiente agradável. Do lado de dentro ficam vários objetos e imagens característicos dos anos 80. Muito legal. Quem não se lembra desse robozinho no alto da prateleira?


Dizem que esse ferrorama grudado no teto funciona:


Fui conhecer a cozinha. Um brinco! Branquinha, limpa, organizada. Parabéns para a equipe e para a dona do bar, Maria Paturle:


Foi na hora em que estava lá que vi o capricho na apresentação do petisco concorrente. Se chama "Marmita da Copa". Vejam só:


Uma marmita! Mandaram fazer paninho estilizado para embrulhar e tudo mais! Até agora, a apresentação mais criativa que vi nesta edição. Aberto na mesa, o petisco se revela:


Carne cozida com cerveja preta e minicebolas (muito boa), pão de jiló (não esperem sabor pronunciado) e minibatatas com alho assado (deliciosas, roubaram a cena!). O capricho da casa é tanto que o pessoal fez até camisas estilo seleção brasileira para os garçons:



Ah, também tinha uma charmosa chaleira com batidinha de limão e cachaça:


Conferido e aprovado! Próxima parada, Churrascaria do Itamar, no Esplanada!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Bistronomia ou só um menu degustação?

Se o chef do D'Istinto, Wilson Gonzaga, chama isso de bistronomia ou se é simplesmente um menu degustação, não sei. Cabe a ele responder, mas a julgar pelo preço (R$ 61, por pessoa) desse jantar de cinco etapas que vai oferecer nas noites de amanhã e quinta-feira, dias 28 e 29, me parece que está sintonizado nessa tendência de praticar o que podemos chamar de "alta cozinha low cost", expressão que li agora há pouco na Time Out portuguesa.

Vejam só (cliquem na imagem para ampliá-la):


Não sei se semana que vem ou mês que vem Wilson vai repetir a dose no D'Istinto. E por falar nisso, o restaurante Benvindo, do chef Paulo Vasconcellos, segue esta semana com seus três dias (hoje, amanhã e quinta, à noite) de bistronomia: são duas opções de menu individual com quatro etapas, um a R$ 48 e outro a R$ 52. Noticiei aqui no blog quando ele começou, há duas semanas. É sempre de terça a quinta, toda semana. Os menus desta são os seguintes:

Menu 1
Entrada: Ovo perfeito com quinoa crocante (ovo caipira fresco cozido a baixa temperatura com quinoa crocante);
Primeiro prato: Aligot (purê à base de batata e queijos gruyère e minas);
Prato principal: Costelinha ao missô (costelinha suína marinada em pasta de soja fermentada e acompanhada por arroz japonês com gergelim e molho curry);
Sobremesa: Cestinha de goiaba com calda quente de requeijão (cestinha crocante de massa harumaki com goiaba "Querença" e calda quente de requeijão artesanal)
R$ 48

Menu 2:
Entrada: Tapioca com siri gratinado (disco de beiju de tapioca com sirigratinado);
Primeiro prato: Aligot (purê à base de batata e queijos gruyère e minas);
Prato principal: Pargo com farofa de camarão e molho de pitanga (pargo com farofa de farinha de milho e camarão e banana grelhada ao molho de pitanga);
Sobremesa: Cestinha de goiaba com calda quente de requeijão (cestinha crocante de massa harumaki com goiaba "Querença" e calda quente de requeijão artesanal)
R$ 52

Parece que essa onda low cost está começando a pegar por aqui. Tomara!

Desculpem pelo atraso, mas...

Sei que devo ser o último a saber disso em todo o Cone Sul, mas acho que vale o registro: o Pizza Sur tem rodízio de pizza e empanada. Por R$ 20,90 (por pessoa), eles servem cerca de 30 sabores de pizza e sete de empanada. Como são fatias finas e pequenas, me explicou o garçom, cada pessoa consegue experimentar, em média, 15 sabores da redonda. Às segundas (unidade Praça da Liberdade), terças (Cruzeiro) e quartas (Savassi), sempre de 18h30 às 23h.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Saiu!

Foi divulgada agora há pouco a lista anual dos 50 melhores restaurantes do mundo, feita pela revista britânica Restaurant. Para encurtar a conversa:

- Ferran Adrià, que há quatro edições ocupava a 1ª posição com seu elBulli, desceu para a segunda. Desta vez foi eleito o chef da década;
- Encabeça a lista deste ano o dinamarquês Noma, considerado também o melhor da Europa. Ano passado ele estava em 3º;
- Alex Atala, que conquistou a 24ª colocação ano passado com o D.O.M., avançou para a 18ª. Foi considerado o melhor restaurante da América do Sul. Não há nenhum outro brasileiro entre esses 50 restaurantes;
- A maior arrancada foi do norte-americano Daniel, agora em 8º, depois de pular 33 lugares;
- A maior queda foi do inglês St. John: caiu 29 posições e agora está em 43º;
- Entre os 10 primeiros colocados estão quatro espanhóis (elBulli, El Celler de Can Roca, Mugaritz e Arzak) e três norte-americanos (Alinea, Daniel e Per Se)

Barbada da semana

Sempre que posso, ando a pé. Principalmente quando volto para o jornal depois de alguma reportagem na rua. Não é só porque é agradável ou saudável, mas também porque são nessas caminhadas que descubro novos lugares, fico sabendo de eventos, encontro conhecidos, conheço produtos e, claro, surgem barbadas. Afinal, como fazer bom jornalismo sem gastar sola de sapato? Pois então.

A desta semana encontrei assim. Resolvi entrar no shopping 5ª Avenida (rua Alagoas, na Savassi) e, por acaso, fui parar na pequena livraria Letraviva, no cantinho do último andar. Especializada em títulos em língua estrangeira, a loja tem pequenina seção (alguns palmos de uma prateleira, na verdade) dedicada a gastronomia.

Lá encontrei barbadas. Bons livros de receita temáticos (tapas, wok, assados, cozinha mediterrânea, vegetariana, tailandesa, indiana, chinesa, espanhola, latino-americana etc) a R$ 30, R$ 40 - a maioria em espanhol e inglês e alguns em português de Portugal. Outros títulos estavam fisicamente um pouco desgastados (nada que comprometa) e, por isso, tiveram preço reduzido: vi por lá um sobre batatas (em espanhol) e outro sobre chocolate (em inglês), ambos interessantes.

Me lembro de ter visitado essa loja pela última vez há uns dois anos e ter visto um (muito sedutor) livrinho de referência sobre embutidos espanhóis (em espanhol). Qual era o preço na época, não sei, só sei que era salgado. Acabei não comprando e quase não acreditei quando o reencontrei lá! Porém, agora me saiu por inacreditáveis R$ 27! Já está lá na minha estante. Um milagre...

Por ainda menos (R$ 10!), estava sendo vendido um pequeno (e antigo, tipo década de 1980) volume sobre restaurantes estrelados parisienses, com descrição e três receitas (entrada, prato principal e sobremesa de cada estabelecimento) de cada. Ainda deve estar lá a espera de comprador.

A oferta é pequena, mas vale a pena garimpar.

O cardápio de Claude Troisgros em BH

Como este blog já havia informado em março, o chef francês Claude Troisgros voltará a BH (esteve aqui ano passado com a mesma finalidade) para comandar duas noites de festival no restaurante Gomide. Agora repasso nesse post o cardápio dele para a ocasião, que acaba de me chegar às mãos:

- Ovos mexidos com caviar frito
- Mil folhas de palmito pupunha, ceviche de vieira, musse de hadoque e ovas de salmão
- Robalo em crosta de quinoa e tomate confit
- Peito de pato com purê de maracujá e endívias caramelizadas
- Flã de queijo coalho trufado
- Crepe passion

Dias 25 e 26 de maio, ok?