Mostrando postagens com marcador vinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vinho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Barbada da semana

Semana passada entrei, quase sem querer, no supermercado Morini de Lourdes. Fui direto a seção de vinhos e dei de cara com o tinto português Paulo Laureano Premium 2008 por R$ 35,99! Essa linha do brilhante enólogo lusitano é composta pelos rótulos "clássico", "premium" e "reserve" e, tendo em vista que o primeiro deles (que é o mais simples) já me agradou bastante, estou com altas expectativas em relação ao segundo, que ocupa posição intermediária. Já está na minha adega.

Nas prateleiras da loja, além do PL Premium, havia alguns rótulos do argentino Los Alamos, clássica opção de bom custo/benefício, que havia visto à venda apenas na Mistral até então. Todos a R$ 31,99. Minutos antes um amigo havia me indicado um rótulo também argentino, o Alto Las Hormigas, que, coincidentemente, encontrei no Morini - R$ 37,99. A conferir.

E na semana que antecedeu o feriado de 7 de setembro dei um bordejo pelas gôndolas do Super Nosso do Gutierrez, onde encontrei cestas cheias de produtos em oferta. Alguns realmente tentadores, outros nem tanto. Água de flor de laranjeira Zeenny (R$ 9,90, 500ml), vinagre de vinho sabor estragão Maille (R$ 9,90), moedor de pimenta Carmencita (com pimenta branca; cerca de R$ 9, 45g), frutos do mar em conserva, antepastos, azeites e vinagres, entre outros produtos, vários abaixo de R$ 7.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Meia garrafa, ora pois!

Descobri vinho do enólogo Paulo Laureano, enólogo português cujo trabalho admiro, vendido em meia garrafa no supermercado Super Nosso! Nunca tinha visto garrafinhas dele por aqui! É o tinto Paulo Laureano Premium, no caso, elaborado com as uvas aragonez e trincadeira. O problema é o preço: R$ 31,90... Com esse mesmo dinheiro dá para comprar uma garrafa inteira da linha mais simples dele (Paulo Laureano Clássico), que é ótima. Sei que não dá para comparar um com o outro, é lógico, mas R$ 31,90 por meia garrafa ainda é muito dinheiro para nós, simples mortais.

Alô, Supernosso, será que não dá para diminuir esse preço?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Barbada da semana

Voltemos ao Morini, supermercado de apelo gourmet cujo encarte atual nos informa que as seguintes ofertas são válidas até o próximo domingo, dia 16:

- Vinho argentino Alamos, um dos ícones da relação custo/benefício entre os brasileiros, por R$ 29,90. Cabernet sauvignon, tempranillo ou chardonnay;
- espumante gaúcho Salton, o preferido dos "guerrilheiros", por R$ 19,99;
- cerveja stout irlandesa Guinness, na boa e velha lata de 440ml, pelos bons e velhos R$ 9,99;
- tendo mínima qualidade, é uma tremenda barbada o salmão chileno da Frescatto por R$ 23,99/kg;
- o mesmo vale para o queijo gorgonzola mineiro da Boa Nata, vendido a R$ 19,99/kg;
- nada mal R$ 7,99 pela embalagem de 1kg do arroz arbóreo italiano da Paganini;
- a lata de 400g de tomate pelati italiano da Costazurra é uma das mais baratas do mercado por R$ 2,49;
- por fim, também não me parece tão absurdo assim pagar R$ 4,99 por 50g de filé de anchova em azeite da marca italiana Pelazza

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Chile, vinho e terremoto



Vejam como é interessante (e dinâmico) o jornalismo: em fevereiro fui convidado para participar de degustação de vinhos com o produtor chileno Hugo Casanova na Casa Rio Verde, destinada a jornalistas e formadores de opinião. Com o terremoto que sacudiu o país dele dia 27, o evento foi adiado. Remarcada a degustação para este mês, ele se preparou para vir a BH não apenas falar dos seus rótulos, mas também dos efeitos da tragédia no cenário do vinho no Chile. Tudo muda.

Porém, para sorte dele, o terremoto não afetou sua vinícola, a Casanova, que fica no vale de Maule - ainda assim uma das regiões mais castigadas pelos tremores. Muita sorte mesmo. A associação de produtores Vinos de Chile estima que os prejuízos para o setor representam algo em torno de US$ 250 milhões. Para se ter uma ideia, cerca de 125 milhões de litros de vinho foram perdidos...

Hugo mostrou fotos realmente impressionantes das consequências do terremoto. Tanques de aço inoxidável, por exemplo, ficaram com aspecto de uma latinha de cerveja amassada. Em alguns locais, contou, formou-se uma corredeira de um palmo de altura de vinho correndo para o ralo - literalmente. As paredes da bodega dele tiverem apenas algumas fissuras, que foram facilmente reparadas.

A maior parte dos tanques usados pelo Chile vem da Europa, continente onde não há terremoto (falei bobagem?). Em vista disso, os hermanos já estudam maneiras de tornar seus tanques mais resistentes. Já os vinhedos, garante, praticamente não foram muito afetados. As parreiras apenas balançaram, sem maiores consequências.

O epicentro dos tremores foi identificado ao sul da região do Maule: de acordo com Hugo, é a principal do país, respondendo por cerca de 50% dos 800 a 900 milhões de litros produzidos anualmente no Chile. Ele afirma que os produtores não querem alterar preços por causa da tragédia, mas prevê algum tipo de aumento a curto ou médio, principalmente por parte das vinícolas afetadas, é lógico.

Bom, antes de falar dos vinhos degustados, vamos a algumas informações que peguei lá:
- Brasil e Venezuela são os principais compradores de vinho chileno na América do Sul;
- Levando em consideração o mundo todo, os principais clientes dos produtores chilenos são Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Holanda e Dinamarca;
- Em geral, a postura adotada pelos produtores do Chile ao vender para o exterior é a de focar mais na qualidade do vinho em si do que naquela ideia de "bom, bonito e barato";
- "Chile é grande produtor, mas não tão grande país de consumidores de vinho". Palavras do próprio Hugo Casanova;
- A média de consumo de vinho no país dele já foi de 30 a 40 litros por ano e per capita. Hoje a média é de 13 litros

Os vinhos, então. Não havia degustado ainda nenhum dos rótulos da Casanova. Se reveleram uma grata surpresa. A maioria de boa relação custo/benefício. O primeiro foi um chardonnay reserva (R$ 33), amarelo pálido, com mel na boca e, no nariz, casca de laranja e abacaxi. Bem leve e com pouca madeira. O rosê (R$ 22) é elaborado com cabernet sauvignon e tem notas de frutas frescas. Já o carménère (R$ 32,85), um dos que mais me agradou, apresenta especiarias, frutas vermelhas e couro. Por fim, provei o cabernet sauvignon premium da vinícola, identificado pela linha Don Aldo (R$ 63,90), realmente o ponto alto da degustação: elegante, ameixa bem madura, taninos macios e fácil de beber.

Ficam aqui as dicas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Vinhos ibéricos na Enoteca Decanter

A Enoteca Decanter (Rua Fernandes Torinho, 503, Funcionarios, 31 3287-3618) promove nesta quinta-feira, dia 15, às 20h, um taste'n'buy cujo tema são vinhos ibéricos. Funciona assim: você paga R$ 150 e tem direito de provar todos os rótulos do evento. Ao final, degusta-se um prato e converte-se o valor pago em bônus de consumo. Quem pagar antecipadamente resgata todo o investimento, revertido em bônus para compra dos vinhos provados; quem paga na hora, resgata bônus de R$ 100. O prato do dia será um risoto com ragu de contrafilé e molho de mostarda. Eis os vinhos:

Brancos:
- Blanco Barrica Ercavio 2008, Mas Que Vinos (Toledo, Espanha) - R$ 59
- Malvasia Fina 2007, Quinta das Maias (Dão, Portugal) - R$ 67,20

Rosês:
- Rosado Ercavio 2008, Mas que Vinos (Toledo, Espanha) - R$ 36
- Vale da Raposa 2007, Alves de Sousa (Douro, Portugal) - R$ 69,70

Tintos:
- Strabon Reserva Oro 2007, Gil Luna (Toro, Espanha) - R$ 90,25
- Tempranillo Reserva Amarem 2002, Luis Canãs (Rioja, Espanha) - R$ 298
- Carmine Grou 2006 (Alentejo, Portugal) - R$ 90,75
- Quinta da Gaivosa 2003, Alves de Sousa (Douro, Portugal) - R$ 216,65

terça-feira, 6 de abril de 2010

Cerveja com o quê?



Brooklyn Brewery/Divulgação


Dias atrás esteve em São Paulo o mestre-cervejeiro da norte-americana Brooklyn Brewery, Garrett Oliver. Aparentemente uma autoridade em cerveja nos Estados Unidos, é autor dos livros The Good Beer Book (com Timothy Harper; Putnam/Berkley Books, 1997) e The Brewmaster's Table: Discovering the Pleasures of Real Beer with Real Food (HarperCollins, 2003). Ele veio para o lançamento das cervejas da marca no país e ministrou aula no campus Santo Amaro do Centro Universitário Senac, na capital paulista. O que mais me chamou a atenção foi a ênfase no que pareceu ser a sua especialidade: harmonização entre cerveja e comida. Daí eu ter mandado para ele as perguntas abaixo:


Ainda hoje há muita gente resistente em relação a ideia de harmonizar cerveja com comida. Como você convenceria essas pessoas do contrário? O que faz da cerveja uma boa bebida para a harmonização com comida?
Eu me considero um entusiasta de vinhos, mas é fato que a cerveja tem uma gama de aromas e sabores mais ampla que o vinho. A razão é bastante simples – cozinhar é mais parecido com fazer cerveja do que com fazer vinho. Podemos usar maltes que são tão torrados como grãos de café ou chocolate e trazer esses sabores para a cerveja. Podemos usar temperos aromáticos e açúcares. Podemos defumar o malte e trazer esse sabor para a cerveja. A cerveja pode ter sabor de qualquer ingrediente da culinária e isso a faz uma bebida superior para harmonizações.


As regras de harmonização do vinho também são aplicáveis a cerveja? Há diferenças expressivas?
A base é semelhante – primeiro, precisa equilibrar a intensidade da cerveja com a da comida. Uma não deve se sobrepor à outra. A cerveja sempre vai contrastar com a comida pelo amargor e a carbonatação. Mas adicionalmente podemos ter harmonizações maravilhosas. Alguns tipos de lúpulos tem cheiro de limões e limas - podemos usá-los com pratos cítricos. Cervejas com sabores defumados e caramelizados são ótimas com churrascos e feijoadas porque harmonizam com esses sabores presentes na comida. O vinho simplesmente não é capaz de fazer isso - não há sabores torrados e caramelizados nos vinhos.


Há harmonizações em que a cerveja se sai melhor do que o vinho? Por que?
Vinhos tendem a não ir muito bem com comidas apimentadas – pimentas fazem o álcool no vinho parecer quente de uma maneira desagradável. Já as cervejas lupuladas fazem grande par com pratos apimentados. E, como mencionei anteriormente, temos uma grande gama de sabores nas cervejas. Não precisamos necessariamente limitar a harmonização de uma sobremesa doce com um vinho doce. Podemos harmonizar uma torta de chocolate com uma cerveja encorpada muito achocolatada ou com uma cerveja feita com framboesas e ter um ótimo contraste. As possibilidades são infinitas. Queijo é outra área onde a cerveja é melhor – alguns dos melhores livros sobre vinho admitem isso. Eu muitas vezes participei de degustações de queijos que chamamos de "cheese wars" - vinhos contra cervejas na combinação com grandes queijos, onde desafio um bom sommelier para um embate em frente à uma audiência. Já fiz essas degustações muitas vezes e a cerveja sempre ganha.


Como é a aceitação da harmonização de comida e cerveja pelo público e chefs nos Estados Unidos? Há tendências identificáveis?
Muitas organizações e associações de restaurantes no Estados Unidos identificam a cerveja artesanal como uma das grandes tendências a partir de 2010. Cervejas saborosas são o novo grande luxo acessível. Fizemos uma cerveja especialmente para Thomas Keller, que é um dos grandes chefs nos Estados Unidos. Seus restaurantes, The French Laundry e Per Se, tem três estrelas no guia Michelin. Nós trabalhamos com muitas pessoas que são referências na culinária de vários países. Curiosamente, são os chefs mais renomados os mais fáceis de trabalhar porque são altamente criativos. Eles não tomam conhecimento de limitações e dão às pessoas novas combinações e sensações. Com cervejas você pode fazer isso, então eles ficam bastante entusiasmados com as cervejas artesanais.

domingo, 4 de abril de 2010

Rolha gentil

Enquanto alguns donos de restaurante deixam de cobrar rolha uma noite por semana e outros cobram quantias mínimas pelas taças quando o freguês traz seu vinho de casa, há os que realmente conseguem o famoso "diferencial". No restaurante À Mesa Bistronomique (Rua Boa Esperança, 306, Carmo-Sion; 31 3221-5541) não se cobra rolha uma vez por mês: nessas ocasiões os fregueses recebem por e-mail menu especialmente criado para o dia e, assim, podem eles próprios levar seus rótulos harmonizados.

Não é simpático? Outras casas poderiam copiar isso.

terça-feira, 23 de março de 2010

O chato e o enochato

Há algum tempo venho pensando em escrever algo sobre como é chato ser chamado ou chamarem alguém (injustamente, é claro) de enochato. Isso, sim, é extremamente chato. Aí apareceu o Josimar Melo, crítico de gastronomia da Folha de S. Paulo, e escreveu semana passada em seu blog um texto no qual assino embaixo. A postagem é do dia 14 de março. Procurem lá e leiam. Vale a pena.

Se alguém sente prazer identificando cores, texturas, aromas e sabores disso e daquilo no vinho, qual é o problema? Por que essa pessoa tem de ser vista como chata pelas demais? Por que não respeitar isso? Todos tem de ser iguais em tudo, por acaso? É claro que não estou aqui fazendo a defesa da figura inconveniente que sempre aparece de taça na mão numa festa, reunião informal ou restaurante e aborrece quem está por perto jorrando incontrolavelmente seu conhecimento sobre vinho. Esse é realmente um chato.

Inclusive, não há lugar-comum mais cansantivo no mundo da gastronomia do que as gozações esterotipadas que têm como alvo o tal enochato. Sabe aquelas expressões do tipo "cheiro de couro de cavalo depois da chuva no sudoeste da França"? Pois é... Já cansei de ouvir essas piadinhas por aí. Já não têm a menor graça.

Mas se sinto prazer com vinho do meu jeito, sem perturbar ninguém, e se gosto de dividir minhas impressões com quem aprecia a bebida da mesma maneira, o que há de errado? Também não posso ler, assistir a programas e estudar sobre isso? Implicar desse jeito é que é chato demais. Termino com a frase do Josimar no final do post: "Vamos com calma. O elogio da ignorância sim é uma chatice. E perigosa".

segunda-feira, 15 de março de 2010

Barbada da semana

Sei que este será o terceiro post a mencionar o bar de vinhos Outono 81 em questão de uma semana talvez, mas é que não posso deixar de comunicá-los da barbada que flagrei lá: 17 vinhos com descontos de 15% a 30%. Para os que não sabem, a casa representa em BH os vinhos da importadora Zahil e entre os que estarão com preço diminuído até o final do mês está o Duque de Viseu 2005 (Quinta dos Carvalhais, região do Dão/Portugal), por R$ 39 (era R$ 57). A indicação é do Pablo Teixeira, responsável técnico pelos vinhos da casa, que me indicou esse rótulo como sendo um dos de melhor relação custo/benefício da promoção. Mas há outros:

- Cruz Alta malbec 2008 (Rutini Wines, região de Mendoza/Argentina), por R$ 22 (era R$ 26)
- Les Salices pinot noir 2008 (Domaines François Lurton/França), por R$ 52 (era R$ 66)
- The Stump Jump Red 2007 (D'Arenberg, região de McLaren Vale/Austrália), por R$ 45 (era R$ 60)
- La Laguna chardonnay-sauvignon blanc Reserva 2008 (Hacienda La Laguna, região do Maipo/Chile), por R$ 36 (era R$ 51)

Como amante declarado dos vinhos lusos, devo ir lá em breve para levar um Duque de Viseu e, de quebra, conferir o flight harmonizado da casa.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Barbada da semana

Depois de um longo e tenebroso inverno blogueiro (carnaval no mato e 10 dias sem internet em casa), volto para dividir com vocês uma das maiores barbadas dos últimos tempos: o "saldão" de vinhos brancos da Enoteca Decanter (Rua Fernandes Tourinho, 503, Savassi; 31 3287-3618). Resolvi entrar na loja por acaso e, a princípio, não percebi a promoção. Alguns minutos depois, me dei conta de que estava ao lado de um amontodado de vinhos brancos aparentemente fora de lugar. Perguntei ao sommelier Nelton Fagundes o que significava aquilo e quase não acreditei: rótulos variados de R$ 20 a R$ 60! São 780 garrafas e 48 rótulos - com alguns deles a loja não vais mais trabalhar. São vinhos de países variados (França, Portugal, Espanha e Chile, principalmente), cujas safras vão de 1996 a 2007. Como boa parte deles tem idade, digamos, um pouco mais avançada, recomendo provar na loja ou se informar a respeito para ver se o vinho evoluiu de maneira que ainda agrada o paladar de cada um. Nesse sentido, o atendimento do Nelton foi fundamental. Qualquer dúvida, conversem com ele! Estive lá pouco antes do carnaval e a oferta ainda era farta, mas depois disso já soube de gente arrematando 5, 10, 15 garrafas de uma só vez. Por enquanto, levei apenas dois: Birlocho Prado Rey 2005 (R$ 20; gostei muito) e Chablis Alice & Olivier Moor 2002 (R$ 40; ainda não provei). Só para dar uma ideia dos descontos que a loja está dando: o preço normal desse chablis que levei era R$ 143,22!

Para quem estiver interessado, sugiro que tenha pressa!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Pizzas, pizzas, pizzas...

Ontem, no caderno Divirta-se, foi publicada matéria minha sobre novidades na área de pizzarias de BH. A saber: Santa Pizza, Pizza Sur e Botica. Não posso deixar de mostrar para vocês algumas das fotos que fiz durante minha visita ao Santa Pizza, no Santa Tereza. A vizinhança me encantou. Este trecho da Rua Silvianópolis, onde fica a casa, mais parece uma cidade do interior...


A fachada antiga da imóvel ajuda a manter o clima de antigamente. Na década de 1940, ali funcionava um armazém:


Inclusive, os proprietários de lá encontraram escondido no forro um velho livro de registro de vendas. Estão restaurando para deixar em exposição no local. Essa é uma visão do ambiente interno, em estilo rústico:


Agora resta saber se a pizza é boa como a da primeira unidade, aberta em 2003 na Serra do Cipó. Estive lá uma única vez, em 2004.

Em breve
Aproveitando o ensejo, adianto aqui que o argentino Gustavo Roman, proprietário da Pizza Sur, planeja abrir mais uma unidade ano que vem. Será na Savassi ou no Funcionários e terá como diferencial em relação às demais lojas (Cruzeiro e Praça da Liberdade) a parrilla. Afinal, ele é argentino! Ele garante que a futura casa também terá chopeira, mas que "esse negócio de comer carne com cerveja já era". Ou seja, vai incrementar ainda mais o serviço de vinhos, com promoções e ofertas. Ele já realiza trabalho louvável vendendo mais da metade de seus 60 rótulos abaixo de R$ 55 e agora quer implementar ações do tipo uma garrafa de vinho por pessoa em cada mesa. É ver para crer. Tomara que dê certo.

Rodízio
Por fim, o Botica, agora reaberto com novos proprietários, manteve massas e pizzas no cardápio. A novidade fica por conta do rodízio, oferecido por R$ 20,90 (individual) nas noites de terça e quarta. Entre os sabores, palmito com tomate seco, pêra com gorgonzola e os tradicionais de sempre.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Vinhos: como trazê-los?

Atire a primeira pedra quem nunca enrolou uma garrafa de vinho em calças e camisas na tentativa de assegurar sua integridade ao final de uma viagem de avião. Eu mesmo já fiz isso. Deu certo, mas que a estratégia é arriscada, isso é! Sou tão desconfiado de certas coisas que não consigo ficar 100% tranquilo com aquele adesivo colado na bagagem para indicar que ela é frágil. Quem pode garantir que ela será tratada com cuidado? Isso sem falar no período nebuloso em que ela fica no bagageiro do avião. Nesse sentido, parece bem interessante o winecase desenvolvido pela EZ Grip Brasil, que conheci em post recente do blog da Casa do Vinho.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Barbada da semana

A desta semana são os vinhos do Verdemar. Não todos, é claro: me refiro aos da seção mais em conta, que, felizmente, não são poucos. São rótulos decentes de vários países abaixo de R$ 20. Não é todo comércio por aí que anda com tanta oferta assim desse jeito.

A ideia de ir num único lugar resolver as compras daquele jantar em casa e, de quebra, levar umas três garrafas de vinho por pouco mais de R$ 50 é muito atraente, concordam? Comodidade e economia rimando soam como música aos ouvidos. E ainda tem funcionário só para ajudar a escolher.

Na minha última visita - loja do Diamond - me animei tanto com a oferta que levei para casa quatro rótulos. Um espanhol, um português e dois chilenos. Todos me deixaram satisfeito. O mais caro custava R$ 20 e uns quebrados. O mais barato, uns R$ 15.

Porque a gente quer tomar vinho sempre que possível, mas não é toda hora que dá para ficar gastando R$ 40, R$ 50, R$ 60 numa garrafa...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Dando uma arejada

Semana passada, em visita a Chácara Chiari (publiquei matéria na última edição do caderno Divirta-se e logo mais postarei aqui algo a respeito), tomei conhecimento do tal oxigenador/arejador de vinho. Curioso apetrecho! Não conhecia...

Trata-se de uma pequena peça (a que vi era de cerâmica) em forma de cone pela qual a bebida passa e que, por causa de seus peculiar sistema de orifícios, a areja em tempo bem menor que o habitual - como num decanter, por exemplo.

Aí, abro o Blog da Casa do Vinho na tarde de hoje e lá encontro o esclarecedor post que ajuda a começar a entender quando usar o oxigenador e quando usar o decanter. Pois é, não é tudo a mesma coisa.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Taças a R$ 8 no Outono 81 (tops incluídos)


Pedro Motta/EM
Dulce Ribeiro, proprietária do atraente bar de vinhos Outono 81 (Rua Outono, 81, Carmo; 31 3227-3009), nos avisa que a partir da semana que vem abrirá a casa também às terças. A novidade que certamente vai interessar enófilos em geral é o que ela chama de "Festa das taças": toda terça um produtor da importadora Zahil disponibilizará sua seleção em taças. A primeira edição será encabeçada pela bodega espanhola La Rioja Alta, representada por quatro tintos. Qualquer uma sai por R$ 8: da mais simples (Viña Alberdi) ao top de linha (Gran Reserva 904). Os flights (incluindo os harmonizados com entradas) continuam normalmente no cardápio.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Um bigode a serviço do vinho português

Nesses últimos dias das minhas férias andei bem ocupado gerenciando anotações, fotos, duas pilhas de livros, revistas, guias, folders e cartões de visita para redigir matéria especial sobre minha viagem a Lisboa e Alentejo, no final de junho. O foco, claro, é a gastronomia. A previsão de publicação é dia 25 deste mês, no caderno de turismo do Estado de Minas. Parte da reportagem abordará o trabalho e os pontos de vista do enólogo alentejano Paulo Laureano, um dos mais importantes do país pelo seu significtativo trabalho de valorização das castas portuguesas. Além disso, é uma das pessoas mais simpáticas que já conheci.





No segundo dia da viagem (ainda chegarei nesse episódio com os posts, prometo!), fui guiado por ele por um dia em algumas cidades do Alentejo: visitamos restaurantes, a Herdade do Mouchão (uma das vinícolas das quais é consultor, que produz o famoso Mouchão) e falamos muito sobre vinho e o papel do enólogo (ele também produz seus próprios vinhos). Mandei algumas perguntas básicas para ele e acabei de receber as respostas (mescladas com textos muito úteis dele), que, acredito, são de interesse de todo apreciador de vinhos, sobretudo os de Portugal.


Que posição Portugal ocupa hoje no mundo do vinho? O momento é bom para o vinho português?
Portugal é um pais com uma longa história ligada ao vinho, mas devido à sua história mais recente e à sua dimensão, os vinhos portugueses, com excepção do Vinho do Porto e do Madeira e também do Mateus, nunca foram vinhos muito conhecidos e divulgados pelo mundo fora. Nos últimos vinte anos uma verdadeira revolução ocorreu nos vinhos em Portugal, de Sul a Norte. As pessoas reconheceram a a qualidade e diferenciação das castas portuguesas, melhoraram-se as técnicas de viticultura e desenvolveram-se verdadeiras adegas de vanguarda. Assim garantiu-se por um lado a manutenção da identidade e da diversidade do vinho português e passou a poder explorar-se de uma forma mais clara todo o potencial associado a estes néctares. Tudo isto, tem permitido que pela sua diferença e identidade os vinhos portugueses estejam hoje a conquistar um espaço próprio no mundo global do vinho. A especificidade das suas castas, a diversidade das suas regiões e os seus aromas e sabores únicos, têm garantindo um crescimento sustentado num mundo onde impera a globalização.


O que o apreciador de vinhos pode esperar de uma viagem para Portugal? Fale um pouco sobre as principais castas do país.
Uma viagem por Portugal é um verdadeiro desafio de aromas e sabores, uma das coisas mais importantes que caracteriza a vitivinicultura portuguesa é a enorme diversidade numa área tão pequena. O texto que se segue é meu e não é mais que o traduzir dessa diversidade.

As regiões vitivinícolas portuguesas

A cultura da vinha estende-se de Norte a Sul de Portugal, passando pelos arquipélagos dos Açores e da Madeira, dando origem a uma extensa gama de vinhos de características diversas, que merecem ser descobertas e apreciadas.

Iniciamos a nossa viagem por terras do Norte, onde se destacam duas regiões, os Vinhos Verdes no Minho e o Douro que se estende ao longo das encostas do rio com o mesmo nome, desde Barca d’Alva na fronteira com Espanha até Barqueiros no concelho de Mesão Frio. No Minho a tradicional região dos Vinhos Verdes, assim chamada devido à elevada acidez das suas uvas e vinhos, estende-se ao longo do Nordeste de Portugal. Aqui as vinhas são exuberantes de vigor e mostram ainda algumas conduções mais antigas, como a “vinha de enforcado”, as latadas ou ramadas, embora a tendência actual sejam as vinhas em espaldeira em linhas paralelas ao longo dos campos.

O clima é mais fresco e temperado, a influência atlântica faz-se sentir de forma acentuada nalgumas zonas. É isto que contribui, de forma decisiva, para os teores de ácidos mais elevados das uvas e condiciona as características dos vinhos aqui produzidos. Podemos identificar três zonas distintas nesta região: Monção e Melgaço, na fronteira com a Galiza, onde predomina a casta Alvarinho, que produz vinhos de cariz distinto e de elevada qualidade numa zona onde o clima é temperado, mas menos fresco, que na restante província minhota. Ao longo das encostas arenosas viradas para o rio, o Alvarinho desfruta de condições únicas que marcam e diferenciam os néctares; um pouco mais a Sul fica a zona do Vale do Lima, com uma influência marítima marcante.

Aqui é a casta Loureiro que predomina, associada a outras como a Trajadura ou a Pedernã, todas elas castas brancas que dão origem a frescos e atractivos vinhos verdes; segue-se a zona de Braga, onde na sub-região de Basto os típicos verdes tintos são muito populares, como o são também em Amarante. Os vinhos tintos foram na história inicial do Minho, claramente dominantes, mas hoje têm um cunho mais regional e são os brancos que constroem a fama desta região.

Viajamos agora um pouco mais para o interior, ainda no Norte e entramos na região do Douro. Esta é uma paisagem deslumbrante, resultado do engenho do homem que construiu terraços e socalcos ao longo das encostas do rio, onde plantou as videiras que viriam a dar origem a um dos vinhos mais famosos em todo o Mundo – o vinho do Porto. Mas nem só de Porto vive o Douro, ao longo destas encostas, nascem numerosos vinhos de mesa ou de “pasto”, como por aqui, são popularmente designados, com enorme qualidade e prestígio.

A região divide-se em três grandes zonas à medida que caminhamos de Barqueiros para a fronteira com Espanha. O Baixo Corgo, até à zona da Régua, o Cima Corgo daqui para montante e o Douro Superior na zona mais raiana. O clima é mais fresco no Baixo Corgo, onde as vinhas são muito exuberantes tornando-se cada vez mais quente à medida que subimos o rio, sendo o Douro Superior uma zona mais continental de Invernos frios e Verões quentes, onde a chuva muitas vezes é rara ao longo de todo o ano.

Os tintos durienses são famosos, na sua origem, estão castas como a Touriga Franca, a Tinta Roriz, a Tinta Barroca, o Tinto Cão ou a Tinta Amarela. Para além dos espumantes aqui produzidos, na zona de Távora-Varosa, também muitos vinhos brancos de enorme qualidade são hoje desenhados no Douro, a partir de castas como o Rabigato, o Gouveio ou a Malvasia-Fina. Na zona demarcada mais antiga do mundo, a sua paisagem estonteante associa-se a uma diversidade de situações de solo e de clima que se reflectem posteriormente nas características dos seus vinhos, os brancos de aromas e sabores exóticos e os tintos com notas de fruta fresca, estrutura marcante e frescos e acutilantes taninos.



Caminhando para Sul entramos nas Beiras, aqui a vinha estende-se também em todas as direcções, mas duas regiões se distinguem claramente, o Dão e a Bairrada. O Dão desenvolve-se ao longo da bacia do Mondego e do seu principal afluente o Dão, que dá o nome à região demarcada. Os contra-fortes das serras do Caramulo e do Buçaco, protegem a região da influência atlântica, enquanto as serras da Estrela e da Lousã a isolam da influência continental. São estas condições que influenciam o clima do Dão, temperado, de Verão seco e Invernos chuvosos e moderadamente frios.

Sobre o antigo maciço ibérico as vinhas nascem em solos de origem granítica. Esta rocha está presente de forma marcante na paisagem do Dão, usado pelos Romanos na construção das suas estradas, permitiu ainda a construção em tempos longínquos, de lagares ou lagaretas, utilizados na produção de vinho e eventualmente de azeite e que se encontram escavados na rocha viva. As condições mais frescas da região permitem vinhos mais acídulos e muito elegantes. Os vinhos brancos são desenhados a partir de castas como o Encruzado, o Barcelo ou o Cercial, enquanto nos tintos pontificam a Touriga Nacional, o Jaen, o Alfrocheiro ou o Bastardo. Região emblemática nos vinhos portugueses, onde convivem produtores engarrafadores e adegas cooperativas, têm vindo ultimamente a reassumir um protagonismo que merece e que tinha deixado escapar durante algum tempo.

Lado a lado com o Dão, surge a Bairrada, mais próximo do litoral, entre os rios Vouga e Mondego e a oeste do conjunto montanhoso Buçaco-Caramulo. Embora não seja pacífica esta ligação, muita gente afirma que a denominação da região deriva dos solos que ai predominam – os barros. A região tem uma clara influência atlântica, que se traduz por uma humidade relativa alta e constante ao longo do ano e que obriga os viticultores a cuidados redobrados na condução da vinha.

Os vinhos tintos são ricos de cor, equilibrados e com elevada concentração de taninos, que lhes conferem uma enorme longevidade. A casta rainha na Bairada é a Baga, que originam vinhos tintos de carácter único. Nos brancos é a casta Maria Gomes que pontifica, dando origem a muitos dos numerosos espumantes que aqui são produzidos. Os espumantes podem também ser tintos e constituem um excelente desafio para a iguaria mais famosa da região, o leitão à Bairrada.

Viajamos agora em direcção a Lisboa, atravessamos o Ribatejo onde a vinha se desenvolve em extensas planícies nas margens do Tejo e a Extremadura onde a videira também marca muitas das paisagens. Os vinhos do Termo de Lisboa envolvem muita poesia e história. Bucelas, Colares e Carcavelos, sujeitas a uma enorme pressão urbanística têm sobrevivido nalguns casos a muito custo.

Passado o Tejo surge a Península de Setúbal, onde logo no seu início se situava uma das zonas de vinhas mais famosas, na Barra a Barra, no Lavradio, onde hoje só já é possível discernirmos inúmeras chaminés fumegantes. Em Setúbal os vinhos mais famosos são os moscatéis, mas esta área que se estende pelas Terras do Sado é rica em diferentes tipos e estilos de vinho. As vinhas crescem nas encostas da Arrábida ou nas areias do Poceirão e nas terras mais a Sul, até Santiago do Cacém.

Os solos de areia marcam a região e conjuntamente com o relevo marcam as características dos vinhos. Nas zonas de encosta da serra a influência marítima faz-se sentir de forma mais acentuada no clima e aqui os solos são de origem argilo-calcárea, originando vinhos mais frescos e menos alcoólicos. Na zona plana predominam as areias e os vinhos são mais alcoólicos, estruturados e pungentes. As castas Moscatel e o Fernão Pires, cheias de notas florais, marcam os vinhos brancos do Sado, enquanto nos tintos a casta rainha é o Castelão, durante muitos anos denominada Periquita, plena de aromas de groselha e com taninos delicados e suaves.

A caminho das terras transtaganas eis que partimos à descoberta da planície alentejana. É uma zona quente de clima mediterrânico mas onde, apesar disso se podem encontrar zonas com características diferenciadas. A zona mais Norte é marcada pelo maciço da Serra de S. Mamede, que condiciona claramente a área e a torna a mais temperada e fresca do Alentejo, onde os vinhos são mais intensos de acidez e os tintos apresentam taninos mais evidentes. Caminhando mais para Sul e já próximo da subida para a Serra d’Ossa, a planície alentejana termina na zona demarcada de Borba. Aqui predominam solos vermelhos argilo-cálcareos. Sendo uma zona já mais quente, as características desta zona são diversas pela exposição das encostas viradas a Norte e pelas condições de solo que as plantas têm para se desenvolver.

Entre este maciço montanhoso e a Serra de Portel ainda mais a Sul, a planície desenha o Alentejo Central onde se encontram áreas emblemáticas de vinho, como Reguengos de Monsaraz, Redondo e Évora. A zona mais quente e continental das terras alentejanas, está para lá do Guadiana e estende-se até à fronteira com Espanha, entre Mourão, Granja e Moura. Aqui os vinhos têm índices de maturação elevados e os aromas mostram frutas muito maduras.

Mais a Sul da Serra de Portel, onde pontifica a Vidigueira, os solos de xistos cobrem inúmeros hectares, os vinhos são de uma mineralidade surpreendente, sendo desde à muito reconhecida a qualidade dos seus brancos desenhados a partir da casta Antão Vaz, sem dúvida uma das melhores castas brancas nacionais.

No Alentejo, neste clima quente mas de excelente condição para o desenvolvimento da videira, cuja área plantada cresceu muito na última década, produzem-se os mais conhecidos vinhos portugueses da actualidade, os tintos desenhados a partir de castas como o Aragonez, de taninos redondos e sedosos e aromas de ameixas, a Trincadeira, com boa acidez e taninos sólidos e o Alicante Bouschet pleno de cor e estrutura. Os vinhos brancos têm no Antão Vaz a diferenciação qualitativa a que se juntam castas como o Arinto, o Roupeiro ou o Rabo de Ovelha. Os vinhos alentejanos são maduros, atractivos e de fácil paixão.

Portugal, em termos vitivinícolas, não finda por aqui, Algarve, Madeira ou Açores são igualmente locais de produção de vinho de características diversas e personalizadas.



Como define os vinhos do Alentejo?
O Alentejo é hoje é dia uma das regiões mais conhecidas de Portugal e isso deve-se a facilidade dos seus vinhos em darem prazer aos consumidores. Marcados pelas características do clima quente mediterrânico e pelas suas castas, os vinhos de aromas maduros, elegantes, macios e estruturados encantam facilmente os enófilos um pouco por todo o mundo. O Alentejo, que representa 1/3 da área de Portugal é a região mais atractiva hoje em dia para os consumidores. Em cada duas garrafas de vinho que são consumidas em Portugal, uma provém do Alentejo.

Uma descrição mais pormenorizada do Alentejo está patente no meu texto que se segue:

Alentejo Terra de Vinhos, os motivos do prazer

A história do vinho no Alentejo, confunde-se com a história da própria região. Apesar do Alentejo, só nos últimos 20 anos se ter assumido como uma das mais importantes áreas vitivinícolas nacionais, é bom relembrar que em cada duas garrafas de vinho consumidas em Portugal, uma é da região alentejana. A produção de uvas e de vinho, está intimamente ligada a história e cultura desta imensa planície do Sul. Os vinhos de talha, ainda tão populares em zonas como Borba, Reguengos ou Vila de Frades, não são mais do que uma herança, rigorosamente preservada da presença dos romanos nestas terras. A política cerealífera dos primeiros 60 anos do século XX, restringiu a cultura da vinha e a produção de vinho a pequenas bolsas, como Portalegre, Redondo, Reguengos, Borba e Vidigueira. Mas a partir do final da década de 70 e ao longo dos anos 80 e 90, com a reestruturação da vitivinicultura alentejana, as cores, aromas e sabores destes vinhos, conquistaram definitivamente os paladares dos consumidores nacionais e internacionais. O vinho e a vinha têm hoje no Alentejo uma importância socio-económica inquestionável.

O que faz então com que os vinhos alentejanos tenham uma tão grande taxa de aceitação? Acredito que aquilo que desenha os vinhos, é o seu “terroir” de origem, isto é, os solos onde crescem as videiras, o clima que condiciona a maturação das uvas e as castas que com os seus aromas e sabores modelam a identidade e personalidade dos vinhos.

Obviamente os vinhos, também não se desligam da sua envolvência, das gentes, da gastronomia, das tradições, da cultura regional e local. Por isso quando bebemos um vinho alentejano, estamos a viajar por todo o Alentejo e por aquilo que o distingue. O vinho é um produto abrangente e multidimensional que deve ser entendido e degustado dessa forma.

As videiras alentejanas crescem normalmente em solos pobres, o que condiciona a sua capacidade produtiva, mas por outro lado isso permite-lhes uma melhor concentração de aromas e sabores nas suas uvas. Quase sempre de origem granítica, os solos alentejanos, têm algumas zonas xistosas, na Serra de S. Mamede em Portalegre e em torno da vila da Vidigueira, os quais, induzem mineralidade nas características de aroma e sabor dos vinhos.

O clima alentejano é de forma generalista quente, com Verões de temperaturas elevadas e frios Invernos. A chuva, condicionada normalmente aos meses de Outono e Inverno, não é muito abundante, o que faz com que a disponibilidade de água nos solos seja limitada e torne a irrigação uma ferramenta de controlo de qualidade importante. Este clima quente modela os aromas dos vinhos, que surgem muito maduros, a lembrar sensações doces, nalguns casos e extremamente atractivos. Por outro lado, esta climatologia torna os vinhos estruturados, com uma boa presença em boca, onde se mostram envolventes, redondos e profundos.

No caso dos tintos, os taninos, que lhe conferem adstringência, são elegantes, sedosos e muito longos. Mas o Alentejo é uma extensa planície marcada por alguns maciços montanhosos que distinguem as diferentes regiões vitivinícolas, devido a algumas diferenças no clima mais local. A Norte, a Serra de S. Mamede, permite maior moderação, com um clima mais temperado, fazendo vinhos de aromas e sabores mais frescos, no Alentejo central entre a encosta Norte da Serra d’Ossa e a Serra de Portel estende-se uma vasta região com um clima já mais quente. No entanto a maior continentalidade, ocorre nas terras da margem esquerda do Guadiana, onde os aromas dos vinhos são mais melados a lembrarem fruta em passa, devido às temperaturas elevadas. A Sul da Serra de Portel, estende-se a planície imensa, com as temperaturas a subirem a medida que nos deslocamos da Vidigueira para o Sul.

E as castas alentejanas como distinguem elas os vinhos da região? Acredito que os vinhos produzidos em Portugal e não só no Alentejo se devem diferenciar por uma identidade própria. Considero aliás este facto, fundamental para sedimentar a posição dos vinhos portugueses no mercado mundial. Portugal possui um património vitivinícola próprio, de elevada qualidade, reconhecida cá e lá fora. Menosprezar este facto é renegar a cultura vitivinícola portuguesa e aquilo que ela tem de melhor.

Também no Alentejo existem uma série de castas cuja presença nos vinhos marcam a sua personalidade e traduzem o que de mais atractivo o Alentejo tem. Destaca-se nos brancos a casta Antão Vaz, que é a grande responsável pela notoriedade dos vinhos brancos da Vidigueira. É uma casta que gosta do clima quente alentejano, precisa dele para mostrar o seu melhor perfil enológico. Aromas de manga e casca de tangerina marcam a sua composição aromática, que na Vidigueira em solos de xisto, se torna mais complexa pela mineralidade que apresenta. Permite vinhos estruturados, frescos, de longa persistência e muito gastronómicos. Fermentada em barricas de carvalho ou em inox é sem dúvida uma das melhores castas brancas nacionais.

Nos tintos, destaca-se pela sua enorme adaptação às condições da região a Trincadeira. É uma casta polémica, porque exige enorme atenção nas vinhas, mas os seus aromas de pimentos vermelhos maduros, frutas silvestres e a sua estrutura assente, em firmes taninos e numa equilibrada acidez, fazem com que seja uma das mais antigas castas produzidas no Alentejo. Um estágio em barricas de carvalho francês, de enorme qualidade, dá-lhe um cunho cavalheiresco, “snob” até.

A estas castas podemos juntar o Arinto e o Roupeiro nos brancos e o Aragonez e o Alicante Bouschet nos tintos, tudo variedades de aromas e sabores distintos, que modelam a personalidade destes néctares de Baco.

Tudo isto, torna os vinhos alentejanos únicos e um convite à descoberta desta imensa planície. Sempre que se bebe um vinho do Alentejo, no interior do copo devemos encontrar todas estas referências identificativas, o bem receber, a magia do Alentejo e sobretudo um enorme motivo de prazer.



Como define seu trabalho como enólogo? Quais são as diretrizes do seu trabalho?
O enólogo é o personagem que deve saber optimizar os factores que condicionam as características do vinho, isto é, o clima, os solos e as castas. Adicionalmente a tecnologia também tem influência sobre os vinhos, mas esta nunca deve ser excessiva porque caso contrário vai esconder toda a personalidade e identidade do vinho, ou seja, o seu “terroir”. O enólogo deve por isso ter um conhecimento profundo e científico dos factores condicionantes da qualidade dos vinhos de forma a saber como pode articulá-los. O enólogo deve ser minimalista, sensível para a elaboração dos lotes, mas cauteloso para que o vinho não seja adulterado por intervenção excessiva. O enólogo deve saber preservar ao máximo os factores de prazer, diversão e identidade que se escondem por detrás de cada copo que consumimos. É pelo menos assim que tento actuar como enólogo.


Para quantas empresas você presta consultoria atualmente? Quais vinhos produz atualmente a Paulo Laureano Vinus?
Através da Eborae Consulting, Lda. a minha equipa de enologia presta consultoria a 17 empresas de Norte a Sul de Portugal passando pelos Açores e pela Madeira, embora seja no Alentejo que se situa a nossa maior actividade.

A Paulo Laureano vinho existe desde 1998 e tem uma história interessante: quando em 2006 seleccionamos o “terroir” da Vidigueira para produzimos a maioria dos nossos vinhos, não o fizemos de forma inocente. A Vinea Maria´s em Évora, já nos tinha demonstrado como uma correcta escolha de solos, exposição e mesoclima é determinante para a expressão personalizada dos nossos vinhos. Isso era ainda mais importante porque desde 2004, a nossa aposta passou a ser claramente nas castas portuguesas de forma a imprimir personalidade e identidade diferenciadora aos produtos que desenhamos.

A Vinea Julieta como entretanto, foi apelidada a vinha na Vidigueira, estava à venda há muito tempo e talvez pela precariedade que apresentava, nunca tentou nenhum comprador. A vantagem de já termos sido consultores da empresa que anteriormente detinha estas vinhas dava-nos a vantagem de conhecer as suas condicionantes. Apesar de estar numa situação de produções muito baixas, a vinha possuía todas as condições que sempre procuramos: um solo diferenciador, xisto, vinhas com alguma idade (média de vinte anos), castas portuguesas (duas delas com potenciais únicos: Antão Vaz e Tinta Grossa); disponibilidade de água, fundamental no clima quente alentejano, que ao mesmo tempo se constitui também como uma marca indelével nos vinhos. Estes distinguem-se pelo “terroir” e por isso acreditamos que encontramos as bases diferenciadoras para os nossos néctares.

Actualmente a empresa possui 70 hectares de vinha na Vidigueira e 10 em Évora. Na Vinea Maria´s pontuam as castas Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, enquanto na Vinea Romeu et Julieta se encontra todo o encepamento de variedades brancas: Antão Vaz, que domina, Roupeiro, Arinto e Manteudo. As castas tintas são a Trincadeira, Aragonez, Alfrocheiro, Alicante Bouschet e Tinta Grossa, uma “preciosidade” esquecida das terras de Vasco da Gama, da qual possuímos uma área considerável.

A partir de 2009 a Paulo Laureano Vinus, vai reestruturar 16 hectares das suas vinhas, para aumentar a área de Alicante Bouschet e renovar algumas zonas de Antão Vaz. Também a partir deste ano vamos plantar Verdelho da Madeira e Açores. A restante área não será alvo de replantação, mas sim de uma optimização, com alguma reenxertia e recuperação da condução nalgumas plantas.

Actualmente a Paulo Laureano Vinus, produz 550.000 garrafas e vai estabilizar por volta das 650.000, mantendo os mesmos objectivos traçados.

O porto folio de vinhos assenta numa marca base: Paulo Laureano, dividida em 4 níveis: Ícone – Paulo Laureano Alicante Bouschet (produzido só em anos de excepcional qualidade); Super-Premium – Paulo Laureano Selectio (todos os anos a melhor casta da vindima), Paulo Laureano Reserve; Premium – Paulo Laureano Premium; Popular Premium – Paulo Laureano Clássico.

O futuro da Paulo Laureano Vinus, passa pelo continuar a acreditar que é com vinhos que traduzem cores, aromas e sabores, que são nossos e dos quais nos orgulhamos, que poderemos dar consistência e longevidade ao nosso projecto, que se divide em termos de mercado: 50% em Portugal e os restantes e diversos países, de que se destacam Brasil, Estados Unidos, Suiça, Holanda e Angola.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Novo blog na praça

Estreou recentemente o blog da importadora Casa do Vinho, uma das principais de Belo Horizonte. Aberta em 1962, a casa comercializa hoje cerca de 250 rótulos europeus e sul-americanos - 95% deles são exclusivos. Além de informações sobre os vinhos que são comercializados na loja, o blog pretende postar dicas para enófilos e comparações entre rótulos sob diferentes critérios. A importadora também está no Twitter. Um brinde de boas vindas!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sal no vinho?



Em sua segunda visita ao Brasil, o francês François Labet, produtor de vinhos da Borgonha - a terra da uva pinot noir - protagonizou noite de degustação de alguns de seus rótulos na Enoteca Decanter, ontem à noite. Todos são orgânicos: não há emprego de pesticidas e afins na produção desde 1992. "Não é por moda. Naquela época, ninguém falava disso. Afinal, melhores frutas produzem melhores vinhos", justifica.

Começou com o bom espumante Crémant de Bourgogne-Vougeot Brut François Labet, feito com a uva chardonnay. Segundo ele, um rótulo de bom custo benefício: na ocasião foi oferecido a R$ 81,60. O que impressionou foi o preço dele na França: não passa de 12 euros, garante o produtor. US$ 20 nos Estados Unidos.

Percebendo a reação de espanto, não perdeu tempo. Além de dono de vinícola, ele é conselheiro de comércio exterior da França. Sobre as taxas que o governo brasileiro reserva para os vinhos, disparou: "Espero fazer com que os vinhos cheguem a preços decentes no Brasil, apesar dos altos impostos, que são uma vergonha". Ele explicou que na França se cobra uma taxa única de 20% sobre os vinhos (a VAT), independente da procedência e incluindo os próprios rótulos franceses. E nos demais países europeus, completa, a taxa, em média, é essa.

A degustação prosseguiu com um ótimo chardonnay, o Beaune Vieilles Vignes Domaine Pierre Labet 2006. O que mais me chamou atenção - como semileigo que sou, é bom lembrar -, foi a diferença de aromas em relação aos chardonnay sulamericanos. Esse francês é mais sutil e delicado, remetendo a torradas e brioche, para ficar nas descrições que o próprio François usou. Não há nesse vinho aquela festa de frutas que alguns chilenos apresentam ao olfato, por exemplo. Gostei muito. Pena que na promoção ele saía por R$ 126,14...

Em seguida, dois pinot noir elegantes, deliciosos: Beaune Clos du Dessus des Marconnets Domaine Pierre Labet 2006 e Beaune Premier Cru Coucherias Domaine Pierre Labet 2006 - cada um custa cerca de R$ 250 (outra lástima...). A polenta com ragu de galinha d'angola e cogumelos porcini, que acompanharia o primeiro dos dois, foi substituída por raviólis de parmesão ao molho de porcini. Achei uma pena, pois acredito que o prato perdeu em complexidade. Mudanças também no prato seguinte, que passou a ser codorna recheada com foie gras sobre polenta trufada e molho rôti. Tudo bem executado pelo chef Memmo Biadi, do Dona Derna.

Ao final, François anunciou uma surpresa: uma taça extra, além das quatro programadas. Abriu garrafas do pinot noir Château de La Tour Clos-Vougeot Grand Cru, cuja safra (2005), foi comparada a ele às de 1959 e 1947, que, suponho, devem estar entre as melhores da vinícola. "Esse vinho é um grande vintage na Borgonha. Memorável, equilibrado, maduro. Gostaria de produzir um desses todo ano. É um vintage dos sonhos", define. Só para constar: é um vinho de R$ 1,3 mil.

domingo, 19 de abril de 2009

Barbadas dos hermanos

Na última quinta-feira, estive no Wines of Argentina, evento anual que divulga vinhos do país vizinho pelo mundo. São cerca de 100 vínicolas associadas, das quais 18 estiveram representadas num dos salões do hotel Mercure, em tarde de degustação precedida por encontros similares apenas em Curitiba e Porto Alegre.

Não sou grande conhecedor do assunto, mas percorri com curiosidade a maioria dos estandes. Do início ao fim, muito malbec, torrontés (que a instituição apresenta como única variedade de uva 100% argentina) e o corte clássico de malbec, cabernet sauvignon e merlot. Minhas considerações mais úteis, creio, são sobre as pechinchas que os produtores ofereciam, ou seja, rótulos de boa relação custo-benefício. São elas:

- Mil Piedras 2007 Viognier (R$ 31). Quem me indicou foi o proprietário do restaurante francês Taste Vin (esse vinho está à venda lá, inclusive), Rodrigo Fonseca, que dispensa apresentações. Toda a linha Mil Piedras tem esse preço, incluindo ainda malbec, merlot, cabernet sauvignon, sangiovese e rosê. Só provei o viognier, que julguei com bom custo benefício. À venda na Premium: (31) 3282-1588.

- Alta Vista Premium 2007 Torrontés (R$ 30). Boa acidez e aromas equilibrados, sem ser floral demais - o que me desagrada em alguns vinhos dessa uva. A representante em Belo Horizonte é a Regiane Nogueira: (31) 8451-8900.

- Alta Vista Premium 2007 Malbec (cerca de R$ 34). Taninos equilibrados. Também com a Regiane.

- Norton 2008 Sauvignon Blanc (R$ 20). Sem passagem por madeira, macio e aroma frutado. O representante em BH é o Alexandre: (31) 3261-2444.

- Trapiche 2008 Torrontés (R$ 38,80). Muito fresco na boca e aroma floral intenso. A representante em BH é a Silvia Regina: (31) 8437-4226.

- Trapiche Roble 2007 Pinot Noir (R$ 29). Gosto muito dessa uva e nem sempre é fácil achar um que agrade sem custar os olhos da cara. Esse me pareceu honesto. Com a mesma Silvia.

Alguém tem mais dicas dos hermanos?