quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Armazém Medeiros abre as portas

Hoje é o primeiro dia de funcionamento do Armazém Medeiros, bar inaugurado onde funcionou o velho Armazém Medeiros, no cruzamento das ruas Rio de Janeiro e Antônio Aleixo, em Lourdes. Estive lá nessa segunda-feira para apurar a matéria que estrá na página 3 do caderno Divirta-se de amanhã. O ambiente ficou bonito, reproduzinho o clima de venda com prateleiras de madeira de caixote cheias dos mais variados produtos. Sabão, enlatados, fósforos etc. Aí vai uma imagem dos instantes finais da obra...



... e outra para vocês terem uma ideia de como ele é visto da rua:



A especialidade da csaa são as carnes - cortes tradicionais (picanha, alcatra etc) e especiais (bife ancho, costeleta de cordeiro etc) -, mas há variedade interessantes de pedidas. Algumas não são muito comuns em botecos, como couve flor à milanesa, ceviche, farofa de ovos trufada e tomate verde frito. Só conferindo. Gostei muito de saber que há um funcionário exclusivamente por conta de preparar e fritar pastéis. Para beber, cervejas de garrafa, chope e 100 cachaças, incluindo uma feita com o nome da casa, vinda de fazenda na cidade mineira de Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Safari de lagosta

Para quem acha que já viu (e fez) de tudo em se tratando de turismo gastronômico, recomendo uma espiada na curiosa matéria do The Wall Street Journal sobre caça de lagostas na Suécia! O cara sai para passear de barco, joga as armadilhas em alto mar, leva tudo o que pescou para a cozinha e prepara com o chef do hotel pratos para o jantar. A essa farra, deram o nome de "lobster safari" e, de acordo com a matéria, ela custa cerca US$ 500 por cabeça, incluindo um dia de hospedagem e bebidas à parte. O hotel em questão é Handelsman Flink e o link deles para o tal safari é esse aqui.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Barbada da semana

Dessa vez, a barbada está nas livrarias. Encontrei semana passada o catatau 1001 comidas para provar antes de morrer (Sextante, 960 páginas) na livraria Leitura por R$ 59,90! Havia uma pequena montanha de exemplares e, aparentemente, aquele era o "preço normal". Não era promoção. Já estava decidido a trazê-lo comigo, mas fui advertido por minha mulher a esperar um pouco. Sábia decisão: conseguiu comprá-lo com bom desconto (20% ou 30%, acho) numa livraria da UFMG por ser mestranda. Então, leitor, se você também é estudante de lá, caia matando! Acabei de fazer uma cotação na internet e vi que vários sites estão vendendo por R$ 47 e uns quebrados! Uma bagatela!



Sextante/Reprodução

Fartamente ilustrado, o livro está dividido nas seguintes categorias: frutas, hortaliças, laticínios e ovos, peixes, carnes, temperos, grãos, da padaria e doces. Tive a felicidade de constatar que várias das 1001 dicas eu já conferi. Umas por facilidades geográficas, como a jabuticaba e o cupuaçu; outras por felizes acasos profissionais, como o paio português e o percebes; e terceiras em férias, como o pecorino di fossa, que provei na Itália. Cada verbete consiste numa descrição rápida do item, seu lugar de origem, dados históricos, dicas de degustação e uma pincelada acerca do sabor. Ao todo, 53 profissionais foram empenhados nessa compilação. O craque Arnaldo Lorençato, editor de gastronomia da Veja SP, ajudou na tarefa como único brasileiro da equipe. Trouxe para a edição cerca de 20 joias, como jabuticaba, açaí, surubim-pintado, caju, pequi, cupuaçu, pitu, guaraná, gusano (por que deram esse nome ao turu?), rapadura, castanha do pará e até formiga saúva!

Para o gourmet curioso, é diversão garantida.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Gel, fumaça e papel no D.O.M.

Em setembro estive lá no D.O.M., do chef Alex Atala, em São Paulo. Fiquei devendo desde então um relato de como foi lá, de maneira que quitarei essa dívida agora, neste post. O 24º melhor restaurante do mundo na lista anual da revista britânica Restaurant fica numa rua sem saída (Barão de Capanema, 549), nos Jardins. Não há placa: apenas as três letras que dão nome à casa em relevo, feitas de metal e em tamanho pequeno. Luz baixa e pé direito alto. Luz, mesmo, só na cozinha. Por isso (e pela humildade da minha câmera) as fotos estão tenebrosas... Peço desculpas pela baixa qualidade das imagens, mas pensando pelo lado positivo, ao menos saí de lá com o prato a prato todo registrado. As fotos são feias, mas são fotos.

Bom, chega de chororô e vamos ao que interessa. Chegamos lá para jantar numa segunda-feira. Optamos pelo menu de oito pratos, que na prática teve 12, além do couvert e café! Como são porções pequenas, passar por todas não foi nenhum sacrifício - muito pelo contrário. Me lembro de ter ouvido o próprio Alex me dizer numa entrevista que o ideal é que o comensal chegue a sobremesa com o mesmo ânimo do início. Ele tem razão.

Sentamos no mezanino, de onde se vê boa parte do salão:



Começamos com pães feitos na casa (integral e de ervas) e pão de queijo, tudo oferecido constantemente ao longo do jantar num grande cesto forrado com pano:



Em seguida (da esquerda para a direita), coalhada com azeite, creme de alho caramelizado e manteiga francesa Président com sal grosso e alecrim (atrás há uma latinha com manteiga Aviação, reparem):



E eis que a sequência de 12 pratos começa com gel de tomate verde com flores, ervas, brotos, cítricos e milho peruano, uma festa para os olhos e para o paladar:



A próxima criação do chef foi apresentada sobre uma placa de ardósia! O retângulo por baixo de tudo é uma espécie de carpaccio de palmito pupunha, muito fino e delicado. Por cima, uma inesperada combinação de alga, melancia e creme de castanha do pará. O garçom nos disse para comer primeiro a flor roxinha que vem ao lado, o borago, na qual Atala identifica sabores de ostra e melancia (detectei algo parecido com melão). A junção de um pouquinho de cada coisa na boca foi um dos pontos altos para mim. Incrível.



Alex disse que costuma criar algumas receitas para confundir, para brincar com o freguês. Penso que é uma maneira de fazer com que se preste ainda mais atenção ao que ele traz à mesa. O prato seguinte é um bom exemplo disso: a casca de ostra na parte de trás sugere que algo do mar foi usado, o que não é verdade. Trata-se de um purê de cará com brotos de agrião e manga verde. Só elementos da terra e nada do mar! A não ser que se considere o fator marítimo psicológico do borago...



Arroz negro com legumes e leite de castanha do pará (ingrediente interessante), o quarto prato:



Mais um equilíbrio complexo de sabores. Queijo coalho, legumes tostados, mel de engenho, espuma de fumaça (sim, é esse o sabor!) e azeite de baunilha:



Um clássico, de Alex, "Quiabo, quiabo, quiabo". No mesmo prato, temos papel de quiabo (a folha verde, em cima, que é feita a partir da celulose natural dele), quiabo, frito, quiabo ao forno, quiabo salteado, caviar de quiabo (as sementes) e fundo de legumes tostados com baba de quiabo.



Quem disse que toda brandade é de bacalhau? No D.O.M. há essa, saborosíssima, feita com palmito pupunha e servida com a genial combinação de anchova e rôti de carne:



Opa! Só agora me dei conta de que deixei de registrar em foto o oitavo prato. Inclusive, lendo minhas anotações no bloquinho, lembrei-me que havia gostado muito dele: mandioquinha defumada, pasta de berinjela, espuma de amendoim, levedura de cerveja e azeite de manjericão. Foi outro ponto alto, certamente. Fico devendo a foto!

Surpresa: carne de paca na mesa! Saborosa, extremamente macia e untuosa... Para ficar na memória. Chegou a mesa com mandioca frita, molho rôti, cebola grelhada e pimenta. Soube que o restaurante paulistano Fasano também vai começar a servir.



Para finalizar a seção salgada do menu, o tradicional aligot, feito com batata e queijos gruyère e minas padrão. A mistura elástica é trazida à mesa presa a duas colheres, que giram num movimento que lembra a produção da bala delícia. Alguns vão questionar o porquê do queijo minas padrão. Por que não usar o artesanal? Eu mesmo me perguntei e não tive como poupar o chef da minha dúvida. Questão de consistênca, me justificou ele.



A placa de ardósia está de volta. Dessa vez, com inusitado trio de sobremesas. Da esquerda para a direita: cogumelo kikurague (de sabor doce), ravióli de limão com banana ouro (maravilhoso!) e pudim de priprioca (há tempos o chef usa esse ingrediente, espécie de baunilha amazônica).



Última etapa! Torta de castanha do pará com sorvete de uísque, calda de chocolate (com curry, pimenta malagueta e sal maldon) e rúcula selvagem. Mais uma para a lista de boas sobremesas pouco açucaradas. Uma beleza de equilíbrio!



Expresso e petit fours na despedida. Um deles levava bacuri!



Antes de ir embora, dei uma espiada na cozinha e conversei um pouco mais com Alex e sua equipe. Acima da bancada, reparem, está o kit para afastar mau olhado e afins!



Aí está a turma do D.O.M.:
Uma noite memorável.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Achei!

Finalmente encontrei aqui em BH um sorvete de pistache realmente muito bom. Depois de provar muita bobagem verde limão (pistache por acaso tem essa cor?) e outros que até tinham cor de coisa boa, mas não valiam quase nada, encontrei algo que realmente vale a pena hoje à tarde, na vitrine da sorveteria Punto It (Rua Marília de Dirceu, 108 / loja 112, Lourdes; 31 3291-0154). Já havia feito matéria lá quando a casa foi aberta, em fevereiro deste ano e, desde então, essa foi minha segunda ou terceira visita ao lugar. Como sempre, tudo muito fresco e muito bom, inspirado na escola italiana. Eis o casal a frente do negócio, Khenya e Domenico, ela mineira e ele italiano:



Numa passada d'olhos pela vitrine da loja, logo identifiquei o sorvete de pistache em tom esverdeado que sugere muito mais algo natural do que um coquetel de coloríficos e saborizantes "idênticos aos naturais". Batata! Pedi para prová-lo e me lembrei na hora do melhor sorvete de pistache que já tomei na vida, há uns quatro anos, lá em Florença, na Itália. Não me lembro agora do nome da sorveteria, mas tenho o cartão dela em casa para quem quiser a dica. Vejam que beleza de vitrine:




Tudo bateu, sobretudo o sabor: de pistache mesmo (vamos combinar: a maioria não tem!), pouco doce e um quê daquele gosto peculiar das nozes e castanhas, que fica entre o doce e salgado, numa zona que, particularmente, associo como "madeirenta". Recomendo sem medo!




Perguntando a Khenya sobre o motivo daquele sorvete ser tão bom, ela me explicou que mudou a pasta de pistache com a qual trabalha. A atual leva exclusivamente pistaches de Bronte, na Sícilia, sul da Itália. Pistaches e nada mais, já que ela me disse que alguns produtores costumam acrescentar nozes e otras cositas mas para fazer o sorvete "render". Para se ter uma ideia, a pasta que ela usava antes (também italiana, mas diluída com as cositas mas) custava R$ 150/kg e a atual, R$ 500/kg! Sobre Bronte e seus pistaches, encontrei os seguintes links: http://www.comune.bronte.ct.it/ e http://www.brontepistacchio.it/.

Provei outros sabores muito bons, como o incomum sorbet de cacau (à base de água e sem leite, como todo sorbet, com sabor intenso e, como sempre aprovo, pouco doce)...



... e o sorvete de grana padano (sim, o legítimo queijo italiano!):



Também gostei dos de queijo canastra, nozes e mascarpone. A saber, uma bola (que pode ser dividida em dois sabores) custa R$ 5, duas saem por R$ 8,50 e três, R$ 12,50.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A ditadura do açúcar

Há não muito tempo publiquei aqui um texto sobre minha segunda visita ao Piacenza. Lá no final, louvei a competência do chef Américo Piacenza ao criar uma sobremesa que não fosse açucarada demais. Era uma compota de manga com gengibre, sorvete de tapioca e lascas de coco. Uma beleza! Ando com esse assunto (a dificuldade dos chefs se libertarem dos grilhões do açúcar) na cabeça, pensando seriamente em fazer uma matéria logo mais para o Divirta-se. Se alguém souber de outros casos de sobremesas boas e pouco dependentes de doses industriais de açúcar, me comunique, por favor. Coincidentemente, Carlos Alberto Dória anda se ocupando do mesmo assunto nos últimos posts de seu blog. Vale dar uma conferida.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Enfim, o porconóbis!

Minha primeira visita ao Casa Cheia, um dos bares mais famosos não só do Mercado Central, mas da cidade, foi há muito tempo. Me lembro de que era hora do almoço. E que saí de lá com a sensação de ter sido passado na chapa junto com os bifes. A roupa ficou com cheiro de PF o resto da tarde. Mas a comida estava ótima.

Estive lá novamente. Foi mês passado, quando circulei pelos corredores do mercado fazendo a matéria de capa do caderno Divirta-se do dia 2 de outubro. Levantei alguns lugares interessantes para visitar quando o assunto são comes & bebes. Gosto muito do mercado e adorei me embrenhar pelo labirinto de lojas para colher as informações.

A parada na hora do almoço foi feita justamente no Casa Cheia. Advertido algumas horas antes pelos próprios funcionários, cheguei antes de 12h para conseguir um lugar para sentar. Bom, na verdade, cheguei às 11h. Confesso: havia acordado cedo e estava morto de fome. Opções de pratos não faltavam, mas eu estava decidido. Queria o porconóbis de sabugosa.



O porconóbis versão almoço chega à mesa numa panelinha simpática, acompanhado por um prato com arroz, feijão, batatas fritas e rodelas de tomate. Tudo saboroso. Acho a combinação da carne de porco com orapronóbis e rodelas de milho ótima (isso é o porconóbis, em si), mas faltou um pouco de cuidado na hora de escolher os pedaços de costelinha que vieram para o meu prato. Um deles tinha carne, mas o outro era pura cartilagem. Além disso, uma única rodelinha de linguiça no prato é sacanagem... Mas o saldo final é positivo e, mesmo saindo com "cheiro de almoço" na camisa, fiquei com vontade de voltar para experimentar os outros pratos do cardápio.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Barbada da semana




Me parece justo pagar R$ 24 num belo prato de rabada com a assinatura de um chef do quilate do italiano Memmo Biadi. E não se trata de uma rabada qualquer: é feita com vinho tinto, o que confere sabor especial ao prato, dá alma ao molho. Carne macia, saborosa e untuosa. Sem gorduras em profusão e sem ter de ficar caçando fiapos de carne por entre os ossos. Sem dúvida, uma das melhroes rabadas da cidade. Agrião e polenta no prato e farta porção de arroz e feijão para acompanhar. Ah, ainda tem salada antes. Tudo incluído no preço. Para conferir, só indo ao restaurante Memmo (Rua Tomé de Souza, 1.331, Savassi; 31 3282-4992) na hora do almoço e pedindo a rabada como prato executivo.
E a sua barbada, leitor, qual é?

sábado, 7 de novembro de 2009

Entre curados, embutidos e defumados

Esta semana recebi um telefonema do Chiari, da Chácara Chiari. Entre outras coisas, me disse que a procura para agendar visitas à sua produção de pães, curados, embutidos e defumados aumentou tanto que só há vagas em janeiro! Fiz matéria sobre o assunto para o caderno Divirta-se mês passado e desde então fiquei devendo para este blog meu relato sobre a visita. Vou tentar não me repetir, mas não vou ficar checando o que escrevi antes. Então, relevem eventuais repetecos.

Começamos na área de fabricação de pães, cara a cara com um belo forno a lenha onde são assados pães, pizzas, carnes e até leitões. Chiari nos disse que é capaz de assar nele 10 pizzas em um minuto e meio. A temperatura chega a 800 graus e dentro dele há um dispositivo para gotejar água, o que produz efeito semelhante ao do forno combinado. Também é nesse espaço que ele dá aulas de panificação para grupos de até sete pessoas - duram quatro dias (três pães por aula) e qualquer um pode fazer. O ninja gourmet abaixo é o Chiari, nosso cicerone.



Na saída do espaço, tivemos um perfumado encontro com a focaccia que comemos logo mais. Havia acabado de sair do forno.



De lá, seguimos para a área onde é produzida boa parte do que a chácara serve nas festas que sedia. Num dos espaços está um interessante defumador a lenha, com três andares de temperaturas diferentes: até 75 graus, 75 graus e mais de 75 graus. O andar de cima é o mais quente, abrigando presunto e copa, que são as maiores peças defumadas da produção. No meio ficam pastrame, picanha e lombo. No fundo, só salames, como o "pustanhac": o nome é a junção de Pusta (cidade húngara conhecida por seus embutidos) e o som imaginário de uma mordida.



O defumador leva uma hora para chegar a 75 graus e nessa temperatura permanece por três dias, quando o processo de defumação terá chegado ao fim. Vale espiá-lo por dentro para ver o aspecto negro e vitrificado de suas paredes internas, consequência da combinação de calor, gordura e fumaça. E pensar que tudo começou com um modesto e pequeno defumador caseiro, que fazia uma espécie de "churrasco enfumaçado", como gosta de lembrar Chiari.

Antes de mergulhar de cabeça na gastronomia, Chiari trabalhava como advogado. Completamente infeliz, decidiu transformar tudo o que era hobby em profissão. O resto da história vocês já podem imaginar. A propósito, a chácara acaba de completar 21 anos. Hoje ele parece bem à vontade com o medidor de ph no mão:


A essa altura, já estávamos na entrada da câmara fria, onde é feita a cura de várias peças:




Está lá no cantinho o bom e velho carvão:



Na câmara fria, temperatura e umidade são controladas para ficar entre 11 e 14 graus e entre 75% e 95%, respectivamente. Essas condições são checadas cinco vezes por dia, diariamente. Para se ter ideia do que acontece lá dentro, de cada 500kg de matéria-prima que entra, sobram entre 200kg e 250kg ao final de processos de cura que podem chegar a um ano, tudo em função da perda de umidade das carnes. As peças são amarradas com fio especial, constituído por uma mistura de nylon e algodão.

Entre os destaques, presunto cru, speck e culatello (meu preferido, talvez). Mas não que os salames não sejam ótimos:




O presunto cru é temperado exclusivamente com sal e leva um ano para ser curado. Feito com o pernil traseiro do porco, passa por dois processos de salga: o primeiro é feito com a gordura para cima, permitindo que a carne fique em contato com a camada de sal grosso no fundo da bandeja; o segundo é com sal fino (sem iodo e de absorção mais fácil), no qual ocorre esterilização da capa de gordura, eliminação de eventual ranço e de umidade residual.

O pernil ideal para o presunto cru, na opinião de Chiari, pesa 15 quilos. Não é fácil obter pernis nesse padrão, acrescenta, já que é regra no mercado abater porcos com 70kg - acima de uma determinada idade, os animais demoram mais a ganhar peso, o que não é tão interessante do ponto de vista comercial. Porém, esforços tem sido feitos no sentido de encontrar e manter fornecedores que atendem essas exigências.

O speck é defumado a frio (30 graus) e feito com o mesmo pernil que dá origem ao presunto, mas cortado de forma diferente. O tempero inclui 12 especiarias, como zimbro, manjerona e canela. No total, são 30 dias nesse tempero, 15 no defumador e um ano na câmara fria. O segredo do bom speck, conta Chiari, é não permitir que haja prevalência de nenhuma especiaria sobre a outra. Já o culatello é feito também com o pernil, mas amarrado numa película fina de banha de porco e temperado com sal, alho, pimenta-do-reino e vinho branco. 30 dias de tempero, 30 de secagem e um ano de cura.


Eis a câmara fria:



E eis o momento pelo qual esperamos durante toda a visita, o da degustação:



Na mesa bem posta por Chiari também houve espaço para outro nobre produto mineiro, as cervejas da Falke Bier, feitas em Ribeirão das Neves. Provamos as ótimas Estrada Real (india pale ale) e Monasterium (ale estilo belga de abadia, fermentada na própria garrafa). Caíram muito bem com os pães, azeite e carnes.




Na ocasião, Chiari nos mostrou o espeto de osso de cavalo tradicionalmente usado para avaliar aromas e identificar problemas pelo olfato. Só serve osso de cavalo, teoricamente ideal nos quesitos neutralidade e retenção de aroma.



As visitas são gratuitas e devem ser agendadas com 15 dias de anteceência. Elas acontecem de terça a quinta, sempre à noite. O único pedido que Chiari faz é que cada visitante compre com ele qualquer quantidade dos produtos, procedimento que aprendeu visitando produtores italianos. Na prática, isso não muda em nada a gratuidade do programa, pois duvido que alguém saia de lá sem querer levar para casa, no mínimo, 100g de culatello, por exemplo. A saber: presunto cru (R$ 168/kg), culatello (R$ 145/kg), speck (R$ 155/kg) e salame (R$ 95/kg).

Recomendo.

Delícias de 1 a 100

Rusty Marcellini compartilha conosco sua preciosa lista de 100 delícias, das quais já falou ao longo de uma centena de edições do programa de rádio CBN Sabores BH. A maioria é de Belo Horizonte. Vai do pão com manteiga na chapa da Pão & Cia ao suflê de queijo gruyère do Taste-Vin. Vale a pena ver.