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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Safari de lagosta

Para quem acha que já viu (e fez) de tudo em se tratando de turismo gastronômico, recomendo uma espiada na curiosa matéria do The Wall Street Journal sobre caça de lagostas na Suécia! O cara sai para passear de barco, joga as armadilhas em alto mar, leva tudo o que pescou para a cozinha e prepara com o chef do hotel pratos para o jantar. A essa farra, deram o nome de "lobster safari" e, de acordo com a matéria, ela custa cerca US$ 500 por cabeça, incluindo um dia de hospedagem e bebidas à parte. O hotel em questão é Handelsman Flink e o link deles para o tal safari é esse aqui.

domingo, 5 de julho de 2009

Portugal - Hora do almoço





A pequena dose de ginjinha e a caminhada pelo Rossio e seus belíssimos arredores ajudaram a abrir o apetite. A ideia era escolher a dedo um lugar especial (e que coubesse no orçamento apertado de jornalista sul-americano) para almoçar no mágico dia livre em Lisboa. Opções não faltavam, mas é bom alertar que a quantidade de restaurantes com cara de "pega-turista" na rua das Portas de Santo Antão (uma das principais da área) é grande. O melhor a fazer é seguir a intuição e as indicações de amigos e de bons guias de viagem, como o excelente Rough Guide Directions Lisboa, que foi muito útil, preciso e fácil de consultar. Recomendo.

Vários restaurantes de Lisboa têm vitrine na entrada. Elas exibem, quase que invariavelmente, peixes, frutos do mar e patas de porco. Um verdadeiro convite para o pedestre! Na maioria desses lugares o tamanho dos crustáceos impressiona. Entre os maiores estão os camarões-tigre, trazidos da costa de Moçambique. São realmente enormes. E olha que esses aí embaixo nem são dos maiores...


Inclusive, durante a viagem ouvi dizer que onde há boas mangas, há camarões grandes. Independente de ser verdadeira, essa pérola da sabedoria popular lusa é boa!
Também muito comuns em restaurantes lisboetas são os aquários, que literalmente mantêm viva a matéria-prima. O excelente Solar dos Presuntos, onde almoçamos, é um deles. Reparem no tamanho do caranguejo a direita - tenho quase certeza de que se trata de um crustáceo chamado de sapateira em Portugal.



A casa tem duas vitrines: uma com esse imenso aquário e outra com uma bela pata de presunto de porco preto. Sim, presunto cru português! Para quem não sabe, não é só na Espanha e na Itália que se pratica a arte de curar patas de porco. Portugal também tem seus porcos pretos criados em liberdade e alimentados com bolotas. O presunto cru deles também é soberbo e não deve absolutamente nada aos dos demais países europeus.

À medida que a hora do almoço se aproxima, os pratos com fatias do extraordinário pata negra lusitano se multiplicam na vitrine.


Vejam só a festa que é possível ser feita com 25 euros por cabeça:
- Prato com fatias de presunto pata negra (o guia informa que vem da região do Minho; antes de comprovar seu sabor fantástico, atingi o nirvana sentindo o seu aroma por alguns segundos), paio português (saboroso e totalmente diferente do primo brasileiro que integra a feijoada) e o fabuloso queijo São Jorge (feito na ilha homônima, no arquipélago dos Açores), que apesar de ser tão emblemático no país quanto o mítico Serra da Estrela, eu não a fazia a menor ideia de que existia. Doce, picante e intenso. Uma das boas descobertas da viagem.


- Cesta de pães fresquíssimos e quentinhos, que foi muito gentilmente (pois foi sem acréscimo na conta!) reabastecida tão logo uma nova fornada saiu da cozinha. Todos deliciosos.


- Uma garrafa do leve e refrescante vinho verde de Monção, de uma pequena cooperativa de produtores. Geladinho e por 9 euros, não poderia ter havido melhor opção.


- Bacalhau à Gomes de Sá era o prato do dia (mais em conta do que o restante, portanto; 15 euros). Uma verdadeira pratada de bacalhau, cebolas docinhas, batatas coradas e macias, algumas tiras de pimentão vermelho, azeitonas verdes, ovos cozidos e salsa. Aparentemente, não há em Portugal o hábito de se comer com uma garrafa de azeite ao lado, como vem ficando cada dia mais comum no Brasil. Pudera: a travessa chega à mesa com boa quantidade de azeite quente. O bacalhau veio do jeito que eu gosto: dourado por fora, textura preservada e pouco sal. Memorável.


- Água, um pires de azeitonas verdes e 10% de serviço. Bastante justo, não? Digamos que 25 euros equivalem a cerca de R$ 70. Quanto é que a gente anda pagando mesmo por um único prato principal (individual) num bom restaurante brasileiro?

Isso sem falar no atendimento eficiente e simpático do garçom que nos atendeu, o Sr. Malagueira:


Para terminar, mais alguns cliques feitos lá no Solar dos Presuntos. O homem à frente da casa, Sr. Evaristo (depois de tudo o que comi lá, não é difícil entender porque estampa um sorriso tão gostoso como esse no rosto):



Peixes frescos chegando e sendo exibidos com o maior orgulho (essa atitude é coisa linda de se ver):



Nem só de vinhos de 9 euros vive a adega local:



Acho que nunca vi lagostas dessa cor:



A vitrine de sobremesas:



A cozinha: