Ontem comi e bebi muito bem no Verde Gaio. Fui gentilmente convidado pelo restaurante para conferir em primeira mão o menu degustação harmonizado que a chef de lá, a portuguesa Valeriana Junqueiro, desenvolveu em parceria com o chef Renato Quintino, que presta consultoria para a casa há alguns meses. Será servido de hoje a sábado que vem e é composto por seis pratos (sendo três receitas de bacalhau), cada um combinado com um vinho lusitano diferente. A ideia partiu do Renato, que é também professor da Associação Brasileira de Sommeliers aqui em BH e frequentemente se via às voltas com a seguinte pergunta: bacalhau combina com o que? Quem quiser ler a matéria que escrevi a respeito na edição do caderno Divirta-se de hoje, clique aqui.
Comecei com dois itens que não estão na degustação, só para experimentar mesmo. O primeiro foi o clássico bolinho de bacalhau (me garantiram que frio e no dia seguinte fica ainda melhor)...
... e o segundo, uma boa berinjela marinada com azeite, vinagre e alho cru...
Bom, foi preciso frear o apetite, pois havia uma degustação inteira pela frente! E ela começou com um típico caldo verde com paio, bem feito e com os sabores da batata e da couve amalgados por toque de azeite. Como o espumante da Bairrada ainda não havia chegado, fui de Valmarino, um bom gaúcho que deu conta do recado.
Na sequência, o vinho verde Rolan, feito com a emblemática uva alvarinho. Trazido pela Adega Alentejana, é delicioso e diferente de outros verdes que já experimentei, pois não tem aquela sensação levemente frisante. Esse é o Rolan:
Caiu bem com o bacalhau à Gomes de Sá, servido em lascas com batata, azeitona preta e ovo ralado. Pouco sal, do jeito que eu gosto. Quando vinha alguma azeitoninha na garfada, então, ficava perfeito! Vejam:
Não sou muito chegado a pescados com queijo, mas devo admitir que o bacalhau às natas gratinado com canastra curado ficou bem interessante. É montado em camadas: lascas de bacalhau, palitos de batata, molho branco e queijo canastra por cima. Para quem acha que é invenção de moda, Valeriana esclarece que em Portugal a receita é bem parecida, feita com queijos locais de vaca ou ovelha. As batatas utilizadas no prato chamam a atenção pelo sabor e textura: não por acaso, são previamente fritas.
Harmonizei com o branco alentejano Cartuxa, aromático e com acidez na medida, ideal para um prato cremoso como o bacalhau às natas:
O último prato é o único cuja receita é do Renato (os demais são do cardápio do restaurante), batizada por ele de bacalhau à moda antiga:
Não sei se dá para ver na foto, mas é uma posta assada lentamente, sempre regada com azeite, e acompanhada por batatas em lâminas finas (como absorvem sabor!), cebolas e arroz com brócolis e alho. Na taça, o tinto Esteva, do Douro, produzido pela Casa Ferreirinha, a mesma do ícone Barca Velha. De aroma floral, casou bem com a receita. Antes de partir para as duas sobremesas, fui pego de surpresa por pastéis de belém feitos pela Doces de Portugal e servidos com canela à parte, como se faz na Antiga Confeitaria de Belém, parada obrigatória para quem visita Lisboa:
Um dos pontos altos da noite foi o moscatel de Setúbal, fantástico vinho de sobremesa de cor âmbar e sabor peculiar que remete a caramelo...
... servido com pudim de claras com ovos moles...
A última sobremesa foi um curioso sorbet de vinho do porto feito pela sorveteria Alessa, servido com chocolate belga (da Degryse) e um excelente porto LBV Burmester. Como tudo vem ao mesmo tempo, sugiro degustar o sorbet isoladamente, pois a baixa temperatura dele tem efeito anestesiante sobre a língua.
Para quem estiver interessado em conferir, o preço do menu harmonizado é de R$ 150 por pessoa. Ah, o Renato estará presente para conduzir a harmonização somente hoje. Nos demais dia, o menu será exatamente o mesmo, mas sem a preciosa presença dele. Vale a pena!
