domingo, 11 de outubro de 2009

O mel que não conhecemos




Para quem pensa que mel é tudo a mesma coisa ou simplesmente não conhece muito sobre o assunto, a próxima edição do encontro "Entre Estantes & Panelas - A Gastronomia de Pensar" vem a calhar. Será no próximo dia 19, das 18h às 19h30, da Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073). Como nas edições anteriores (na passada fui um dos convidados), a curadoria é do chef paulistano Alex Atala e do sociólogo Carlos Alberto Dória e a coordenação, da jornalista da Folha de S. Paulo Janaína Fidalgo, que nos conta em algumas linhas o que estará em pauta:

Desta vez, será aprofundado um assunto já levantado no encontro sobre Ingredientes e Territórios: abelhas nativas e um mel segregado. A inexistência de uma legislação que reconheça o mel das abelhas indígenas sem ferrão (Meliponíneas) e o potencial deste produto genuinamente brasileiro (produzido por uruçus, mandaçaias, tiúbas, jataís...) serão temas abordados por Paulo Nogueira-Neto, professor titular emérito da USP e um dos maiores especialistas em abelhas indígenas sem ferrão, e Roberto Smeraldi, jornalista e diretor da Amigos da Terra - Amazônia Brasileira. O encontro será mediado pelo sociólogo Carlos Alberto Dória, curador do evento junto do chef Alex Atala.

As senhas para assisitir à mesa redonda serão distribuídas no dia do evento, a partir das 17h. Informações: (11) 3170-4033.

O mexido do Vicente

Na edição deste ano do Festival de Gastronomia de Tiradentes comi muita coisa boa. Muitas delas, é claro, nos festins dos chefs estrelados, mas a que mais me deixou saudades mesmo foi no restaurante Estalagem do Sabor (Rua Ministro Gabriel Passos, 280, Centro, Tiradentes, 32 3355-1144). O mexido do Vicente é realmente de tirar o chapéu. Inexplicavelmente, ele o batizou de Mané sem jaleco (que é um dos outros nomes do bambá de couve, se não me engano), mas isso não tem lá grande importância. O ponto-chave da receita, segundo o próprio Vicente, é a substituição da gordura do bacon pelo azeite. Ele diz que se fizer com a gordura animal, ninguém aguenta comer o mexido até o fim. Vamos a receita:



Mané sem jaleco (o mexido do Vicente)

Ingredientes

200g de feijão vermelho cozido lavado, escorrido e frio
250g de arroz cozido (parboilizado, de preferência)
200g de bacon picado em cubinhos
1 cebola média picada em cubinhos
1 colher (chá) de alho amassado
1 concha pequena de azeite extravirgem
1 cubo de caldo de carne
1 pitada de pimenta-do-reino
1 folha de couve rasgada
3 folhas de couve picadas
1 folha de couve grande para decorar
1 pimenta dedo-de-moça para decorar
1 banana em rodelas
2 ovos
1 lombinho suíno
500g de banha suína

Modo de preparo
Tempere o lombinho com alho, sal e pimenta-do-reino a gosto. Coloque numa panela a banha suína e três copos de água e ponha o lombinho para cozinhar e fritar ao mesmo tempo em fogo médio, com a panela tampada. Assim que o lombinho estiver dourado, desligue o fogo e deixe-o dentro da panela. Enquanto isso, frite o bacon numa panela grande em fogo alto e escorra a gordura resultante. Abaixe o fogo, acrescente o azeite e o alho, deixe dourar, coloque a cebola, a pimenta-do-reino e o caldo de carne e mexa. Ajunte tudo para o canto da panela e no centro, onde ficar acumulado o azeite, coloque os ovos para fritar - mexa pouco para que os ovos fiquem em pedaços maiores. Coloque o feijão, o arroz, a couve rasgada e mexa devagar. Retire o lombinho da panela e fatie-o. Forre uma travessa com a folha de couve, coloque por cima o mexido, a couve picada, o lombinho fatiado e decore com a banana e a pimenta dedo-de-moça.

sábado, 10 de outubro de 2009

Bacalhau, bacalhau, bacalhau

Veterano de festivais próprios (cordeiro, frutos do mar, lagosta etc), o chef Gabriel Carvalho nos apresenta mais um, o do bacalhau. É a sexta vez que o realiza. Até dia 25 deste mês, de terça a domingo, promoverá em seu Sapore d'Italia (Rua Mestre Luiz, 64, São Pedro; 31 3227-4585) festival com o nobre peixe, trazido, como de costume, da Noruega. A saber: ele detem o título de campeão do Concurso Bacalhau de Ouro, promovido em 2002 pelo Consulado da Noruega e Conselho Norueguês de Pesca e disputado por 17 restaurantes de Belo Horizonte.

Os preços (por pessoa, bebidas à parte) variam entre R$ 56 e R$ 68, conforme o dia da semana, mas o serviço é sempre o mesmo: cada pessoa terá pela frente sequência de seis pratos, acompanhados por cesta de pães. Entre eles, estão bolinhos crocantes de bacalhau; bruschetta de bacalhau ao creme de cogumelo fresco; purê de bacalhau com batatas cozidas com leite, azeite extravirgem e ervas aromáticas ao molho pomodoro; bacalhau grelhado no azeite extravirgem aromatizado com ervas; e bacalhau curtido no leite com azeite, alho, ervas e temperos, empanado e assado lentamente ao forno, regado com o próprio molho.

E para quem não se contenta com essa variedade, o chef manda avisar que tem cartas na manga.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Blog novo na praça

O amigo Augusto Franco, super repórter do jornal Hoje em Dia, chegou recentemente a blogosfera com seu Prato do Dia. Para quem acompanha o universo gastronômico pela internet e mora em Belo Horizonte, trata-se de leitura obrigatória. Seja bem vindo!

Para quem, como eu, pretender ir mas ainda não foi ao Restaurante Popular, o post mais recente, no qual o blogueiro descreve sua visita ao local, é de grande interesse.

A saga do halawa com pistache

Abri meu último pote de halawa com pistache. Para quem não conhece, trata-se de um doce fabuloso, comum nos países do Oriente Médio. É feito bascamente com tahine (a mesma pasta de gergelim com a qual se faz homus e babaghannouj), açúcar e extrato de halawa (que é a raiz de uma planta). As maneiras de escrever o nome são as mais diversas: halawa, halva, halwa, halawi... As versões mais comuns disponíveis no Brasil, além da simples (que se resume a esses ingredientes), incluem pistache ou chocolate. Particularmente, prefiro a versão com pistache. Tradicionalmente, come-se com fatias de pão quente.



Em breve, inciarei nova saga para encontrar mais potes de halawa com pistache. Minha última compra foi um verdadeiro achado: levei para casa uns cinco potes da marca libanesa Zeenny (quem importa é a Maxifour), que encontrei no Carrefour do Shopping Del Rey a R$ 18,90, cada! Geralmente cada um custa entre R$ 25 e R$ 30. Empórios árabes costumam vender, mas nem sempre com pistache. O de Dona Hana, no Mercado Central, vende pedaços de halawa tirados de barras grandes, mas só puro ou com chocolate. Se não me engano, vi por lá uma marca menos conhecida com pistache. Vou conferir. O restaurante Al Sultan, se não me engano, tem.

Num dos empórios do centro de São Paulo, onde estive mês passado, a variedade de halawa era grande. Tinha até diet, mas o bendito com pistache estava em falta. Para servir de consolo, comprei um pote de doce tentador, também da Zeenny: figo com gergelim e amêndoas. Deve ser uma coisa...

Enfim, se alguém souber de outros lugares onde encontrar o halawa com pistache, manifeste-se, por favor.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O agenciador

Escrevendo agora há pouco sobre os chefs que vieram e virão ao restaurante Dádiva, me lembrei de que todos chegaram/chegarão ao Brasil contratados pelo mesma pessoa: o consultor gastronômico Roberto Jardim. É ele quem contrata boa parte dos chefs estrangeiros que cozinham no Brasil atualmente - muitos deles estrelados pelo Guia Michelin. A relação dele com eventos mineiros da área começou ano passado, no Festival de Gastronomia de Tiradentes. Na edição do evento deste ano também foi ele o responsável pela vinda da maioria dos chefs de fora. Ao que tudo indica, vai continuar trazendo gente estrelada para cá.


Capovilla/Divulgação
Por isso, aproveito para publicar aqui novamente a entrevista que fiz com ele ano passado, à ocasião da 11ª edição do Festival de Gastronomia de Tiradentes, para o caderno Divirta-se do jornal Estado de Minas:


Cachês astronômicos, humor imprevisível, passagens de primeira classe, bebedeiras, noitadas com mulheres. Parece relato de visita de astro do rock em turnê pelo mundo, mas não é. Acredite se quiser: esse é o retrato não muito raro do que é a vinda de um chef aclamado no exterior ao Brasil. Lidar com desejos estranhos e imposições dignas de artistas faz parte do dia-a-dia de quem contrata essas estrelas do universo gastronômico. Haja jogo de cintura. Quem conta é consultor gastronômico Roberto Jardim, que há 12 anos traz para o Brasil e capitais sul-americanas principalmente chefs estrelados pelo renomado guia Michelin. Para o Festival de Gastronomia de Tiradentes, “escalou” Kazuto Matsusaka, Pierre Sauvaget, Patrick Gauthier, Christian Le Squer e Benedetto Bartolotta.

Contratar um grande chef é como contratar um artista?
É parecido. É um trabalho complicado. Tem que ter paciência em alguns casos, como o do chef espanhol que foi todos os dias ao salão depois do jantar, menos no último, quando o embaixador da Espanha estava presente. Foi uma grosseria. Insisti muito e ele disse que no restaurante dele, em Madrid, ele recebia o pei. Embaixador era pouca coisa para ele. Ano passado, voltou ao Brasil para dar um curso. No contrato, omitiram o tema da aula e ele chegou para falar sobre “Como ser um grande chef como eu”.

Quais são os critérios para escolher chefs para festivais?
Primeiro, o boca-a-boca. Pergunto aos chefs quem me recomendariam. Depois, visito o local. Normalmente, não me identifico. Se gostar da comida, só depois de pedir a conta vou falar com o chef. Trabalho eventualmente com chefs sem estrelas, mas desde que trabalhem num restaurante ou hotel conhecido. A mídia gosta disso. Também me previno com opiniões de chefs muito amigos, que são “consultores de humor de chefs franceses”.

Que tipo de exigências eles fazem?
Quase todos querem suíte, querem espaço. E querem jantar nos melhores restaurantes. Quando estão aqui, as despesas vão lá em cima. Nem sempre tenho cortesias. Também controlo um pouco as bebidas. Um deles me deu um estouro de mais de R$ 2 mil em dois dias de champanhe. Saiu com as gatas e ainda bem que não mandou a conta delas. Pedem dois ou três dias a mais, para ficar de férias no Rio de Janeiro. Um deles pediu para ficar três dias em Copacabana ou Ipanema, acompanhado pela mulher, olhando para os traseiros das mulheres brasileiras. Além disso, alguns exigem viajar em primeira classe. Hoje é muito difícil trazer um chef em classe turística.

Quanto cobram os chefs estrelados?
Dentro do cartel de chefs três estrelas, há quem cobre 5 mil euros por dia de trabalho. Outros chegam a cobrar 15 mil euros. Ferran Adrià não pode vir para um festival porque depende de um laboratório que está anexado à sua cozinha. No Brasil, não temos nada que se compare, nem de perto, a cozinha que ele tem. O custo para trazê-lo e montar essa estrutura seria inviável. Assim como Pierre Gagnaire, ele deve cobrar em torno de 15 mil euros por dia.

Os chefs sentem receio em vir trabalhar aqui?
Muitos têm medo de se ausentar de Paris. Os três estrelas, sobretudo, só querem sair de quando fecham o restaurante, nas férias de agosto. Por isso tenho muitos eventos nesse mês. Acham que se saírem, um fiscal do guia Michelin pode chegar e lhes complicar a vida. Às vezes, têm receio de não ter equipamentos e ingredientes aos quais estão acostumados. Nossa manteiga, por exemplo, tem muito mais água que a européia. E só usam chocolate belga. Há chefs que praticamente nem tocam em pratos na cozinha. Trazem ajudantes, ficam olhando e, no final, provam para ver se há necessidade de fazer alguma correção. Mas há estrelados que até cortam cebola.

Qual é o melhor mercado para esses chefs?
O Japão. Já tenho chefs contratados para ano que vem e para 2010, apesar de nem saber ainda onde vão cozinhar. Se eu não contratar agora, os japoneses contratam na minha frente. Contratam um, dois anos antes. Passei a usar o critério deles, para me garantir. Hoje, posso fazer isso tranquilamente, pois tenho patrocinadores programados. Atualmente, sou quem mais contrata chefs estrelados pelo guia Michelin. Trago ao Brasil entre 25 e 28 chefs por ano.

O filão do festival



Arquivo pessoal

O restaurante Dádiva (Rua Curitiba, 2.202, Lourdes; 31 3292-9810) gostou mesmo desse negócio de trazer chef estrangeiro para cozinhar lá. Depois dos franceses Marc Meurin (Restaurant Marc Meurin, duas estrelas no guia Michelin) e Emmanuel Ruz (Lou Fassum, uma estrela), que apresentaram festivais gastronômicos na casa nos últimos dois meses, semana que vem será a vez do conterrâneo Christophe Bacquié (foto), do restaurante do Hôtel du Castellet (uma estrela). Ele comandará festival no restaurante terça e quarta, dias 13 e 14, com menu degustação a R$ 200 (individual; não inclui bebidas). Eis o prato a prato do chef:


Amuse bouche
Declinação de texturas e sabores em torno do lagostim

1º prato
Escalope de foie gras, tartar de figos frescos, batatas anna e molho de pato levemente ácido ao vinagre de mel

2º prato
Vieiras com risoto cremoso

3º prato
Filé mignon; alcachofra e funcho salteados; rúcula e parmesão; molho de manteiga de anchovas

Pré-sobremesa
Transparência de frutas exóticas e espuma ao perfume de erva cidreira

Sobremesa
Chocolate e pralinê em massa fina crocante, sorbet de gianduia e folhas achocolatadas

E a casa anuncia para o decorrer do ano que vem mais quatro festivais de chefs estrelados pelo Michelin.

Lá vem mais um bar

Estive na Savassi anteontem e flagrei o futuro bar Liberdade em obras, na Rua Alagoas. Uma equipe de limpeza havia ficado de entrar no local ontem para trabalhar 24 horas por dia. O imóvel já abrigou o restaurante Chico Mineiro, o bar Espaço Real (que teve curta vida) e, por último, o japonês Oishi. Desta vez, os donos são os mesmos do vizinho Chez Bastião. O investimento, incluindo compra do ponto e obras, é de cerca de R$ 500 mil.



As especialidades da casa serão petiscos e pratos mineiros. A fórmula é a seguinte: servir os tira-gostos de botecos copo-sujo num ambiente mais bonito, padrão "zona sul", com opções do tipo leitão, arroz com suã e arroz com pequi nos fins de semana. Exatamente por tudo isso é que foi mantido o marco da Estrada Real que chegou com a abertura do bar Espaço Real. A inauguração está prevista para a próxima quarta-feira, dia 14.



O cardápio também listará carnes na brasa, linguiça de fabricação própria, petiscos "obrigatórios" (batata frita etc) e feijoada servida à mesa aos sábados. O novo bar terá cerveja de garrafa e chope, privilegiando a linha completa da Itaipava. Haverá ainda um paredão de cachaças com rótulos bem antigos e raros, como o da marca Pelé (esta, especificamente, não estará à venda).

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Braca X Braca

O colunista Mário Fontana nos informou em sua coluna de ontem que os proprietários do Braca, bar inaugurado recentemente em Lourdes (já comentei aqui e fiz matéria sobre ele), teriam recebido pedido do bar carioca Bracarense (no qual foi assumidamente inspirado) para que mudassem o nome da casa.

O que acham disso?

Inchaço na Boa Lembrança

Recentemente tomei conhecimento de que a Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança está beirando as 100 casas filiadas e que não permitirá novas adesões. Ocupando duas das últimas vagas estão dois restaurantes de Belo Horizonte: Gomide (já anunciou para março seu prato de estreia) e Haus München. Ao que parece, restou apenas uma única vaga para ser disputada pelo país inteiro. Quem vai ocupá-la?