Todo mundo aqui sabe a que me refiro quando cito o extinto restaurante Aurora? Bom, para encurtar essa introdução, por hora basta dizer que era uma das melhores e mais caras casas de Belo Horizonte. Foi fechada este ano e fãs incondicionais do chef Mauro Bernardes (como eu) ficaram órfãos. Há pouco tempo divulguei neste blog que ele estava assumindo a cozinha do Ficus, em Lourdes, e como a casa é uma das 3o que participam da primeira edição da Belo Horizonte Restaurant Week, o que parecia impossível aconteceu. Entrada, prato principal e sobremesa "à la Aurora" por R$ 39!
Estive ontem à noite lá e pude matar, de alguma forma, um pouco das saudades do Aurora. Não teve quebra de pratos de gesso, chuva de pétalas nem aquela imprevisível trilha sonora, mas, mesmo assim, pude ouvir ecos de outrora. Receitas inteiras estavam lá no menu da BHRW, como o incrível "jardim florido", além de preparações que eram comuns na cozinha do antigo restaurante. Redução de porto, terrines, filés altos de peixe, ingredientes do extremo oriente... Até erros de grafia de velhos pratos dele estavam lá, agora impressos no menu temporário do evento.
Fui de "jardim florido" (consomê frio de mexerica com laranja, brotos, flores, azeite aromatizado e pimenta); filé ao molho de vinho porto com terrine de batata e bacon (estava ótimo e a carne veio exatamente no ponto pedido); e salada de frutas com especiarias e espuma de coco. Fui feliz do início ao fim nessas minhas escolhas, incluindo também o vinho, um bom tinto português do Douro. Todos na mesa (éramos oito) concordamos que a carta de vinhos carecia de opções de rótulos abaixo de R$ 70. Fica meio puxado tomar vinho assim, não acham?
Saí do Ficus feliz em rever o chef, afinal, seria um baita desperdício tê-lo fora do nosso circuito gastronômico. Além disso, voltei para casa também ansioso pelo novo cardápio que ficou de apresentar ao público dentro de aproximadamente 20 dias. Em breve darei mais notícias a respeito.
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domingo, 26 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Mauro Bernardes está de volta!
Bem que eu havia notado. O primeiro prato do restaurante Ficus no menu da Restaurant Week estava com cara de ter sido roubado do Aurora. É o inesquecível "jardim florido": um prato com brotos, ervas e flores comestíveis com pingos de azeite aromatizado, sobre o qual é vertido consomê gelado de laranja e mexerica. Quem teria a cara de pau de copiar um prato tão singular como esse? Pois é, acabo de saber que Mauro Bernardes, chef que fez do extinto Aurora um dos mais indispensáveis restaurantes belo-horizontinos, está de volta. Que ótima notícia!
Mauro assumiu há alguns dias a cozinha do Ficus, aberto há poucos anos em Lourdes por Renato Savassi, também proprietário do tradicional La Traviata, na Savassi. O chef me disse que está trabalhando no novo cardápio, que será apresentado em cerca de 20 dias e será baseado em clássicos franceses - com toques pessoais, obviamente. Me adiantou, inclusive, que quer preparar canard à la presse, a clássica receita de pato do restaurante parisiense La Tour d'Argent, na qual as partes da ave são servidas com molho feito com o próprio sangue (extraído ao prensar sua carcaça com a pele e restos da carne).
Pago para ver se um chef do calibre do Mauro conseguirá imprimir apenas alguns "toques pessoais" ao cardápio francês!
Mauro assumiu há alguns dias a cozinha do Ficus, aberto há poucos anos em Lourdes por Renato Savassi, também proprietário do tradicional La Traviata, na Savassi. O chef me disse que está trabalhando no novo cardápio, que será apresentado em cerca de 20 dias e será baseado em clássicos franceses - com toques pessoais, obviamente. Me adiantou, inclusive, que quer preparar canard à la presse, a clássica receita de pato do restaurante parisiense La Tour d'Argent, na qual as partes da ave são servidas com molho feito com o próprio sangue (extraído ao prensar sua carcaça com a pele e restos da carne).
Pago para ver se um chef do calibre do Mauro conseguirá imprimir apenas alguns "toques pessoais" ao cardápio francês!
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Ecos do Aurora
E eis que Mauro Bernardes, chef do recém-extinto restaurante Aurora, reaparece. De volta a cozinha onde havia trabalhado antes. Aposto que será ótimo.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Restaurante Aurora fecha as portas
Pois é, é isso mesmo. Este post não é brincadeira de 1º de abril. Soube há pouco por fonte confiável que o restaurante Aurora, sem dúvida um dos melhores de BH, foi fechado este ano. De fato, há tempos eu não ouvia notícias sobre o Mauro Bernardes, chef e proprietário da casa, mas pela sua natureza temperamental e inconstante (típica de verdadeiros artistas como ele, diga-se de passagem), nem me passou pela cabeça que seu sumiço tivesse essa explicação. Fiquei surpreso e triste. Soube que ele está prestando consultorias e que pretende abrir nova casa. E mais nada.
Gostava muito do trabalho do Mauro à frente do Aurora. A casa foi aberta na Savassi, onde funcionou de 1990 a 1996. Reaberta na Pampulha, em 2003, retomou posição de destaque na cena gastronômica de BH. Lá, tudo chamava a atenção, a começar pela trilha sonora, que ia de Chitãozinho & Xororó a Buddha Bar, passando por músicas do mundo inteiro, praticamente. Inclusive, quando no meio da noite começava a tocar a música tema do filme Zorba, o grego, isso significava que havia chegado o grande momento, a quebra de pratos!
Era uma verdadeira farra. Garçons saíam do salão com pilhas de pratos de gesso e os distribuíam aos fregueses. Com todo mundo embalado pelo álcool e pela música grega cada vez mais alta e rápida, o quebra quebra de pratos era realmente um momento divertido. E ninguém limpava nada; a noite terminava com o chão cheio não só de cacos, mas também de pétalas, já que os fregueses eram banhados com chuvas de flores durante a refeição. Uma cena curiosa. Jantar era, de fato, um programa no Aurora.
E tinha a comida, é claro. Os preços eram altos, mas a qualidade e criatividade dos pratos justificavam isso. Ou, se não justificavam, pelo menos não criavam aquela sensação de muito barulho por nada. Mauro tinha fama de chef esbanjador, no sentido de não ter dó de usar ingredientes caros, nem ficar dando um jeitinho de economizar em molhos, reduções e outros processos demorados, complicados ou dispendiosos. Circulavam pela cidade algumas lendas a respeito disso, como a de que ele reduzia uma garrafa inteira de vinho do porto a apenas algumas colheres de chá.
Os pratos dele realmente impressionavam. Uma de suas especialidades era o molho de jabuticaba, com o qual servia filé, cordeiro, peixe ou camarão. Sem sombra de dúvida, o melhor que já comi até hoje. Em alguns momentos Mauro se cansava da popularidade desse molho, embora nunca tivesse tirado esses pratos do cardápio. Mas ele não se limitava a a jabuticaba. Apreciador das cozinhas do mundo todo (sudeste asiático, em especial), ele mudava constantemente o cardápio da casa, ora inspirado na opulência europeia de trufas, açafrão e foie gras, ora absolutamente focado na simplicidade e em ingredientes brasileiros. As transições eram tão radicais que chegava a ser divertido constatá-las - e, mais ainda, ouvir as justificativas do chef, que sempre se deixou guiar pela emoção e fantasia na hora de compor um novo menu.
Um chef como ele faz falta na cena da cidade. Não só pelo talento dentro da cozinha, mas também pela postura fora dela. Quem o conhece sabe do que estou falando. Mauro é um amante do delírio e gostava de transmitir isso às pessoas. Seja explicando o porquê de um determinado ingrediente num prato, seja projetando mudanças malucas (a maioria não aconteceu) para o restaurante. Chegou a contratar como cozinheiro um rapaz que tentou assaltá-lo na rua. Ele se permitia conviver com uma boa dose de loucura no dia a dia. Por um lado isso é ótimo, mas por outro isso trazia certa instabilidade para a casa. No final das contas, tudo dava certo.
Por essas e por outras, o fechamento do Aurora é lamentável. Confesso que estou na expectativa de ver Mauro retornar, torço para que realmente abra uma nova casa. Precisamos de loucos assim.
Gostava muito do trabalho do Mauro à frente do Aurora. A casa foi aberta na Savassi, onde funcionou de 1990 a 1996. Reaberta na Pampulha, em 2003, retomou posição de destaque na cena gastronômica de BH. Lá, tudo chamava a atenção, a começar pela trilha sonora, que ia de Chitãozinho & Xororó a Buddha Bar, passando por músicas do mundo inteiro, praticamente. Inclusive, quando no meio da noite começava a tocar a música tema do filme Zorba, o grego, isso significava que havia chegado o grande momento, a quebra de pratos!
Era uma verdadeira farra. Garçons saíam do salão com pilhas de pratos de gesso e os distribuíam aos fregueses. Com todo mundo embalado pelo álcool e pela música grega cada vez mais alta e rápida, o quebra quebra de pratos era realmente um momento divertido. E ninguém limpava nada; a noite terminava com o chão cheio não só de cacos, mas também de pétalas, já que os fregueses eram banhados com chuvas de flores durante a refeição. Uma cena curiosa. Jantar era, de fato, um programa no Aurora.
E tinha a comida, é claro. Os preços eram altos, mas a qualidade e criatividade dos pratos justificavam isso. Ou, se não justificavam, pelo menos não criavam aquela sensação de muito barulho por nada. Mauro tinha fama de chef esbanjador, no sentido de não ter dó de usar ingredientes caros, nem ficar dando um jeitinho de economizar em molhos, reduções e outros processos demorados, complicados ou dispendiosos. Circulavam pela cidade algumas lendas a respeito disso, como a de que ele reduzia uma garrafa inteira de vinho do porto a apenas algumas colheres de chá.
Os pratos dele realmente impressionavam. Uma de suas especialidades era o molho de jabuticaba, com o qual servia filé, cordeiro, peixe ou camarão. Sem sombra de dúvida, o melhor que já comi até hoje. Em alguns momentos Mauro se cansava da popularidade desse molho, embora nunca tivesse tirado esses pratos do cardápio. Mas ele não se limitava a a jabuticaba. Apreciador das cozinhas do mundo todo (sudeste asiático, em especial), ele mudava constantemente o cardápio da casa, ora inspirado na opulência europeia de trufas, açafrão e foie gras, ora absolutamente focado na simplicidade e em ingredientes brasileiros. As transições eram tão radicais que chegava a ser divertido constatá-las - e, mais ainda, ouvir as justificativas do chef, que sempre se deixou guiar pela emoção e fantasia na hora de compor um novo menu.
Um chef como ele faz falta na cena da cidade. Não só pelo talento dentro da cozinha, mas também pela postura fora dela. Quem o conhece sabe do que estou falando. Mauro é um amante do delírio e gostava de transmitir isso às pessoas. Seja explicando o porquê de um determinado ingrediente num prato, seja projetando mudanças malucas (a maioria não aconteceu) para o restaurante. Chegou a contratar como cozinheiro um rapaz que tentou assaltá-lo na rua. Ele se permitia conviver com uma boa dose de loucura no dia a dia. Por um lado isso é ótimo, mas por outro isso trazia certa instabilidade para a casa. No final das contas, tudo dava certo.
Por essas e por outras, o fechamento do Aurora é lamentável. Confesso que estou na expectativa de ver Mauro retornar, torço para que realmente abra uma nova casa. Precisamos de loucos assim.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Sempre quis fazer esse nhoque...

Casa do Consumidor Santa Marina/Divulgação
A primeira vez que comi um nhoque de semolina (ou à romana) foi no restaurante Aurora. Adorei o sabor e a textura. O chef, Mauro Bernardes, gratinou o nhoque com farinha crocante de bacalhau e guarneceu o prato com um molho de limão de lamber os beiços. Um daqueles típicos pratos inesquecíveis. Recebi essa receita da Casa do Consumidor Santa Marina - ainda não testei, mas pretendo fazê-lo em breve.
Nhoque de semolina
(8 a 10 porcões individuais)
Ingredientes
2l de leite
160g de manteiga
1 1/4 xícara (chá) de farinha de semolina (360g)
200g de parmesão ralado
Sal a gosto
Pimenta-do-reino a gosto moída na hora
Noz moscada a gosto ralada na hora
Modo de preparo
Numa panela grande, aqueça o leite e metade da manteiga. Assim que ferver, acrescente a semolina, aos poucos, mexendo sempre com um batedor de arame. Depois que a semolina for incorporada, deixe cozinhar por 20 minutos mexendo de vez em quando. Tempere com metade do parmesão, sal, pimenta-do-reino e noz moscada. Coloque a massa em uma assadeira oval média antiaderente e deixe esfriar completamente. Desenforme sobre uma tábua, corte o nhoque com a ajuda de um cortador de massa (6cm de diâmetro e 4cm de altura). Corte cada nhoque ao meio no sentido horizontal e arrume-os na assadeira. Junte as aparas da massa, modele, corte e arrume na assadeira mais alguns nhoques. Repita a operação até acabar a massa. Derreta a manteiga restante, espalhe sobre os gnocchis arrumados, polvilhe o parmesão e leve ao forno (não preaquecido) a 200ºC, até gratinar.
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