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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Embutidos, arte portuguesa

Os portugueses realmente são artistas no que fazem. Tanto que da minha viagem para a terrinha, em junho deste ano, trouxe uma porção de especialidades. Frutos do mar enlatados, flor de sal, vinhos, licores, embutidos, azeite, azeitonas... A maioria já provei. Hoje, por exemplo, experimentei o chouriço de porco preto, a linguiça que os lusos fazem basicamente com a carne do porco preto alentejano, alho e condimentos como o chamado "pimentão da horta", que, ao que parece, é uma espécie de massa de pimentão. É ela que confere essa cor avermelhada ao "enchido". Vejam:


Para ler o que está na etiqueta, basta clicar na foto para ampliar a imagem. Recentemente provei o chouriço de vinho de Barrancos e descrevi essa árdua tarefa neste post, que também tem informações sobre a empresa que fabrica esses dois embutidos (Barrancarnes, com a marca Casa do Porco Preto), o porco preto e denominações de origem portuguesas.

A textura de ambos os embutidos é igual, já em relação a aroma e sabor, as diferenças são grandes. Talvez o aroma do chouriço de vinho seja um tanto mais agressivo, bem como seu sabor, no qual se nota certa (agradável) acidez. A gordura é uma maravilha, derrete na boca, preenchendo-a com muito sabor. Ela parece minar só de cortar rodelas finas e deixá-las expostas ao tempo por alguns minutos.

Agora só me resta uma farinheira pela frente.

sábado, 21 de novembro de 2009

A maravilhosa gordura que derrete na boca

Há questão de alguns dias, finalmente abri um dos três sedutores pacotes embutidos que trouxe do aeroporto de Lisboa. Em razão da maior proximidade da data de vencimento, optei pelo "chouriço de vinho de Barrancos", nome dado pelos lusos a um tipo de linguiça feita com a carne e gordura do porco preto, vinho e algumas especiarias. Seguindo as instruções da embalagem, depois de abri-la esperei por 15 minutos antes de iniciar os trabalhos. Que maravilha...




Aroma intenso e sabor complexo, com perfeito equilíbrio entre as notas curadas e ácidas. Tudo com a benção da espetacular gordura do porco preto, que derrete na boca e confere untuosidade e muito (mas muito mesmo) sabor... Essa linguiça não é defumada, mas curada, e a região em que é feita - Barrancos - rendeu a Portugal uma denominação de origem protegida (DOP). No caso, a única do país para presuntos. Um link interessante e útil para quem quer saber quais são os produtos portugueses com selos DOP, ETG (Especialidade Tradicional Garantida) e IGP (Indicação Geográfica Protegida) e é esse aqui, do departamento de agricultura e desenvolvimento rural da Comissão Europeia. Para quem quiser correr atrás, a marca dos embutidos que trouxe é Casa do Porco Preto, comercializada pela Barrancarnes.


Ao que tudo indica e a julgar pela descrição na embalagem (cliquem na foto para ampliá-la e ler a etiqueta), esse porco preto é um animal primo do porco preto espanhol. Ele é descrito como pertencente de raça alentejana. É criado solto e com alimentação 100% natural, o que inclui bolotas de carvalho durante cerca de 1/3 do ano. Não é de bolotas que se alimenta o famoso primo espanhol? Pois são elas importante componente na alimentação do bicho para que sua carne e gordura se tornem tão deliciosas.

Agora restaram lá em casa um chouriço e uma farinheira. A conferir em breve.