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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Bolota, a lenda

Conheci o estupendo doce de leite do Bolota em 2005, durante avaliação de bares e restaurantes para o Guia Unibanco Minas Gerais (Bei), em Tiradentes. Foi por causa do bom e velho hábito de "assuntar" com moradores que fui aconselhado a experimentá-lo. Fui, então, a casa de Célia Oliveira, viúva do Bolota. Ela e as três filhas são as responsáveis pela produção do doce nos fundos de casa, mas quem o criou foi ele. Bolota, que morreu há 20 anos, era cozinheiro. Adorava doces, mas era diabético. Olha ele aí:




Essa foto está pendurada na parede dos fundos da casa, onde há uma mesa sempre posta para receber os visitantes. Célia e as filhas nos fazem experimentar um pouquinho de tudo. E tudo é muito gostoso. Nesse lugar, participando de alguma forma da intimidade da família (a cozinha fica logo ali), o sabor não poderia ser melhor. Pratos e talheres domésticos, tigelinhas de plástico, toalha na mesa. Tudo contribui para realçar a impressão de "sabor caseiro", de "feito com carinho". Pode até ser só impressão, mas que parece, parece.



Trata-se de um doce de leite leve e muito claro, com sabor suave (do leite, e não do açúcar) e consistência que lembra a da nata. Não há nada igual e em nada lembra as densas pastas açucaradas que abundam por aí. O segredo está na quantidade de açúcar: 200g para cada 15 litros de leite. Por querer driblar a diabetes, Bolota desenvolveu essa receita com quantidade bastante reduzida de açúcar. Combina maravilhosamente com o ótimo figo em calda que ela também faz ali. Aí está o casamento feliz:



Célia, fingindo que não é com ela:



Só ela sabe o ponto do doce. As três filhas ajudam em várias etapas da produção, mas reconhecer o aspecto da receita pronta é só com ela. Todo dia é dia de fazer doce. O mexe-mexe na panela dura o dia inteiro, com Célia e Márcia, a filha do meio, dividindo a tarefa. É preciso mexer sem parar, por horas e horas. Tânia, a mais velha, ajuda a vender os doces e, em épocas de muita demanda, também ajuda com a colher de pau. Karine, a mais nova, colabora nas vendas e é quem faz os cartões que acompanham as potes.

Definitivamente, a visita a casa de Célia é programa obrigatório para quem está em Tiradentes - levando doces para casa, é claro Registro aqui seus contatos: Rua Bias Fortes, 77, Cascalho, Tiradentes, tel. (32) 3355-1465.

Para quem quiser se aventurar na tentativa de reproduzi-lo, eis a receita:

Ingredientes
15l de leite
200g de açúcar refinado

Modo de preparo
Coloque o leite e o açúcar numa panela de 25l e leve ao fogo alto. Mexa sem parar com uma colher de pau até ganhar cor ligeiramente mais escura e consistência levemente pastosa, o que levará cerca de quatro horas. O doce estará próximo do ponto ideal quando, ao raspar a colher no fundo da panela, for possível ver o fundo. Como é preciso mexer sem parar (do contrário, o leite entorna), reveze com mais pessoas na tarefa. Célia ensina que é preciso começar o preparo em panela grande e quando o volume inicial chega a nível bem reduzido, convém transferir a preparação uma panela de 10l, na qual é mais fácil ver o fundo da panela quando se está mexendo - sinal de que o doce está quase no ponto. Ela também faz o doce com açúcar light – 100g para cada 15l.